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05 de dezembro de 2017, 17h38

Golpe em Honduras pode não se concretizar porque polícia se recusa a reprimir a população

“Nosso povo é soberano. Não podemos confrontar e reprimir seus direitos”, disse a Policia Nacional de Honduras em comunicado oficial. Centenas de policiais abandonaram seus postos e se uniram aos manifestantes, que acusam o atual presidente, que decretou estado de sítio, de golpe e fraude eleitoral Por Ivan Longo Parte da Polícia Nacional de Honduras emitiu um comunicado, nesta terça-feira (5), informando que não irá reprimir os manifestantes que tomaram as ruas do país em protesto contra o estado de sítio decretado pelo presidente Juan Orlando Hernández. A medida, de acordo com os opositores do presidente, que chegou ao poder...

“Nosso povo é soberano. Não podemos confrontar e reprimir seus direitos”, disse a Policia Nacional de Honduras em comunicado oficial. Centenas de policiais abandonaram seus postos e se uniram aos manifestantes, que acusam o atual presidente, que decretou estado de sítio, de golpe e fraude eleitoral

Por Ivan Longo

Parte da Polícia Nacional de Honduras emitiu um comunicado, nesta terça-feira (5), informando que não irá reprimir os manifestantes que tomaram as ruas do país em protesto contra o estado de sítio decretado pelo presidente Juan Orlando Hernández. A medida, de acordo com os opositores do presidente, que chegou ao poder após um golpe militar, faz parte da fraude eleitoral encampada no último dia 26, quando a justiça eleitoral hondurenha o declarou eleito mesmo sob suspeita de que o sistema de contagem de votos haveria sido fraudado.

“Nosso povo é soberano. Não podemos confrontar e reprimir seus direitos”, disse um membro do batalhão de choque da polícia ao ler o comunicado. A ordem do governo era para que a polícia reprimisse as manifestações, mas muitos policiais estão se juntando aos manifestantes.

Foto: Reprodução/Twitter

No Twitter, internautas vêm postando vídeos dos policiais se recusando a reprimir os manifestantes.

Golpe e fraude eleitoral

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Honduras foi vítima de um golpe jurídico, midiático e militar em 2009 que derrubou o ex-presidente José Manuel Zelaya e alçou ao poder o atual presidente Juan Orlando Hernández.

No dia 26 de novembro deste ano, Honduras teve eleição presidencial e Zelaya não pode sair candidato, porque está judicialmente impedido. Mas apoiou Salvador Nasralla, que ganhou no voto, mas não levou.

De acordo com Nasralla, durante a contagem de votos, quando a oposição ainda liderava, os computadores da Justiça Eleitoral entraram em pane. Cinco horas depois, quando os computadores voltaram a funcionar, o atual presidente passou a liderar a apuração até vencê-la com a estreita margem de 1,5%, num pleito que não prevê segundo turno.

Com a evidência de fraude eleitoral, milhares de pessoas começaram a sair às ruas em protesto contra o atual governo que, como resposta, decretou estado de sítio.

A oposição exige o fim do estado de sítio e a verificação de 5.174 atas das seções eleitorais.

De acordo com Nasralla, o estado de sítio foi uma medida adotada por Hernández para desviar o foco da fraude eleitoral. “Tudo isso, para seguir manipulando o processo eleitoral e dar como vencedor das eleições o presidente da República. Isso é uma injustiça. São manobras do governo para semear o pânico, criar o caos e fazer com que o eleitor acredite que somos nós, da Aliança da Oposição, que estamos causando esses tumultos. Não é verdade. Senhores do governo, respeitem a vontade do povo para que Honduras possa voltar à calma”, afirmou.

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