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23 de maio de 2017, 10h05

Grampo da PF revela que aeroporto de Cláudio era de Aécio

De acordo com os grampos de uma conversa com o seu primo Fred, o aeroporto de Cláudio, em Minas Gerais, construído com dinheiro público durante a gestão de Aécio, servia para atender a família do tucano e a chave ficava com seu segurança. Da Redação* Gravações da Polícia Federal demonstram mais um embaraço para o senador Aécio Neves (PSDB-MG). De acordo com os grampos de uma operação deflagrada na semana passada, o aeroporto de Cláudio, em Minas Gerais, construído com dinheiro público durante a gestão de Aécio, servia para atender a família do tucano e a chave ficava com seu...

De acordo com os grampos de uma conversa com o seu primo Fred, o aeroporto de Cláudio, em Minas Gerais, construído com dinheiro público durante a gestão de Aécio, servia para atender a família do tucano e a chave ficava com seu segurança.

Da Redação*

Gravações da Polícia Federal demonstram mais um embaraço para o senador Aécio Neves (PSDB-MG). De acordo com os grampos de uma operação deflagrada na semana passada, o aeroporto de Cláudio, em Minas Gerais, construído com dinheiro público durante a gestão de Aécio, servia para atender a família do tucano e a chave ficava com seu segurança.

A conversa interceptada é com Frederico Pacheco de Medeiros, primo de Aécio, o mesmo indicado pelo tucano para receber R$ 2 milhões solicitados pelo senador ao empresário Joesley Batista, da JBS, segundo ele para pagar despesas do advogado no âmbito da Lava Jato.

O aeroporto de Cláudio foi construído em uma área que pertencia a um tio-avô de Aécio. A obra teve início durante sua gestão e foi concluída em 2010, a um custo de R$ 13,9 milhões. A pista fica próxima a uma fazenda da família Neves.

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Em uma ligação de 13 de abril, interceptada pela PF, Fred diz a um interlocutor não identificado que a chave do aeroporto estaria com o segurança de Aécio.

“Se o Duda tá descendo no avião alguém vai abrir o portão pra ele ou não?”, pergunta o interlocutor não identificado. “Sim, já deve ter aberto… ele já deve ter saído e já deve ter fechado”, responde Fred. “E quem que é essa bênção de pessoa?, continua o interlocutor. “Deve ser o segurança do Aécio”, diz Fred. “Ah, ele tem a chave?”, insiste o interlocutor. “Deve ter.. tô imaginando na condição de alguém for lá abri-lo…Eu não sei nem se vai, mas deve…Passa lá na porta”, conclui Fred.

O diálogo consta de um relatório da Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado da PF que foi anexado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) ao pedido de abertura de inquérito contra Aécio no Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da Operação Patmos, a partir da delação premiada feito pelo grupo JBS.

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O primo de Aécio foi preso na quinta-feira passada, 18, após ser filmado buscando uma mala com R$ 500 mil em propina da JBS, supostamente a pedido do senador.

Quando o caso do aeroporto de Cláudio foi revelado, em 2014, Aécio admitiu usar as pistas do local quando visitava a fazenda da família na região, mas disse desconhecer o fato de que a chave do portão ficava com sua família. O local é administrado pela prefeitura de Cláudio.

À época, o aeroporto ainda não tinha homologação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o que só ocorreu em 2016. Um ano antes, o Ministério Público de Minas Gerais já havia decidido arquivar a investigação sobre a construção do aeroporto alegando que não havia irregularidades nem desvio de finalidade na obra.

*Com informações da reportagem de Fábio Leite, do Estadão

 

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