Comportamento

Não foram os humanos que inventaram o beijo, segundo a ciência

Pesquisa rastreia o gesto até os ancestrais dos grandes símios, milhões de anos antes da nossa espécie existir

Escrito en História el
Jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo. Atua na cobertura de temas relacionados à saúde, ciência, maternidade e infância. Possui especialização em SEO e gerenciamento de projetos.
Não foram os humanos que inventaram o beijo, segundo a ciência
O beijo pode ter começado muito antes da nossa espécie: evidências apontam para origens na linhagem dos primatas. Reprodução/Pixnio

Muito antes de aparecer em romances, filmes ou canções de amor, o beijo já era praticado entre criaturas que sequer pertenciam ao gênero Homo. Uma pesquisa inédita da Universidade de Oxford aponta que o gesto pode ter surgido há 21 milhões de anos, no ancestral comum de humanos e grandes símios. O estudo sugere ainda que neandertais também utilizavam algum tipo de beijo em suas relações sociais.

Embora alguns primatas atuais, como chimpanzés, bonobos e orangotangos, já fossem conhecidos por exibir comportamentos semelhantes ao beijo, faltava uma análise sistemática sobre sua origem. A equipe de Oxford realizou a primeira reconstrução evolutiva do gesto, combinando dados comportamentais e uma modelagem estatística que simulou milhões de cenários ao longo da árvore genealógica dos primatas.

Eles descobriram que o ato de beijar, definido como contato boca a boca não agressivo e sem relação com alimentação, tem probabilidade muito alta de ter surgido entre 21,5 e 16,9 milhões de anos atrás. Ou seja, bem antes de qualquer forma humana existir.

O estudo também reforça a ideia de que neandertais, que conviveram e cruzaram com humanos modernos, provavelmente se beijaram. Há indícios de compartilhamento de micróbios orais entre as duas espécies, algo difícil de explicar sem contato boca a boca. Somado às relações sexuais comprovadas por DNA, o gesto parece ter feito parte do repertório afetivo desses parentes extintos.

Se é tão antigo, por que nem toda cultura beija?

Embora o gesto pareça intuitivo para grande parte do mundo ocidental, o beijo não é universal. Um levantamento antropológico recente mostra que apenas 46% das culturas humanas documentadas utilizam algum tipo de beijo romântico ou social. Em muitas sociedades indígenas das Américas, da África e da Oceania, por exemplo, o ato simplesmente não aparece como demonstração de afeto, e, quando ocorre, pode ter outros significados ou ser visto como algo estranho.

Os pesquisadores sugerem que em alguns grupos, normas sociais podem ter suprimido o gesto; em outros, o beijo pode ter sido criado de forma independente como expressão de intimidade. Há ainda sociedades que demonstram vínculo por meio de gestos alternativos, como encostar narizes, esfregar rostos ou cheirar a pele.

 

 

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