Vida no Ártico

Entenda por que nessa cidade é proibido morrer

Local adotou a regra após descobertas sobre como a decomposição humana acontecia por lá

Escrito en História el
Jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo. Atua na cobertura de temas relacionados à saúde, ciência, maternidade e infância. Possui especialização em SEO e gerenciamento de projetos.
Entenda por que nessa cidade é proibido morrer
Longyearbyen, em Svalbard, enfrenta solo permanentemente congelado, o que impede a decomposição de corpos e levou à proibição de enterros. Reprodução/Wikimedia Commons

Longyearbyen, principal cidade do arquipélago de Svalbard, no extremo norte da Noruega, tem pouco mais de 2 mil habitantes, noites que duram quatro meses e ursos polares rondando os arredores. Mas nada disso chama tanta atenção quanto uma norma em vigor desde a década de 1950, que diz que morrer ali é oficialmente proibido.

A regra não aparece em placas ou avisos turísticos, mas determina que qualquer pessoa em situação de saúde grave seja transferida de avião para o continente. O motivo está debaixo dos pés. Em Longyearbyen, o solo permafrost, congelado permanentemente, impede que corpos enterrados se decomponham. Sendo assim, enterrar alguém nessas condições significa conservar o corpo intacto por décadas. E isso inclui possíveis vírus ou doenças que a pessoa carregava ao morrer.

A preocupação tornou-se realidade em 1950, quando moradores perceberam que o cemitério local armazenava corpos que simplesmente não se deterioravam. O temor de contaminação levou autoridades a suspender os enterros e a estabelecer a proibição da morte na cidade.

Vírus preservado

Décadas depois, nos anos 1990, pesquisadores exumaram alguns desses corpos para estudar os efeitos do permafrost,  e encontraram no cadáver de uma vítima da gripe de 1918 o vírus ainda preservado, ativo e potencialmente capaz de infectar pessoas. O episódio reforçou o alerta de que caso o permafrost descongele com o avanço do aquecimento global, patógenos antigos podem voltar a circular.

Atualmente, só é possível ser enterrado em Longyearbyen após cremação, e ainda assim com autorização especial do Estado. Quem vive ali já convive com outros desafios rigorosos, como a longa noite polar, o frio extremo, ataques de ursos polares e até a proibição de gatos, mantida para proteger aves locais.

A combinação de isolamento, baixa temperatura e riscos ambientais faz de Longyearbyen um dos lugares mais extremos do planeta, e ajuda a explicar por que, entre tantas regras duras uma delas determina que por lá morrer não é uma opção.

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