Descoberta

É provável que os neandertais nunca tenham sido extintos, segundo a ciência

Novo estudo aponta que a “desaparição” pode ter sido, na verdade, uma lenta fusão genética com o Homo sapiens

Escrito en História el
Jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo. Atua na cobertura de temas relacionados à saúde, ciência, maternidade e infância. Possui especialização em SEO e gerenciamento de projetos.
É provável que os neandertais nunca tenham sido extintos, segundo a ciência
Registro fóssil de neandertal encontrado na França em 1908, base para estudos sobre a convivência com o Homo sapiens. Reprodução/Luna04/Wikimedia/CC BY-SA 3.0

Um estudo da Universidade de Roma Tor Vergata aponta que os neandertais podem não ter passado por uma extinção clássica. Em vez disso, teriam sido gradualmente incorporados pelas populações de Homo sapiens com as quais conviveram e se reproduziram ao longo de milhares de anos na Eurásia. A pesquisa simulou o encontro de duas populações humanas de tamanhos distintos. Os resultados mostram que, em um intervalo de 10 mil a 30 mil anos, a linhagem neandertal teria sido absorvida por grupos sapiens maiores e mais numerosos.

A hipótese se soma a um conjunto crescente de evidências. Estudos genéticos mostram que pessoas de ascendência não africana carregam entre 1% e 4% de DNA neandertal. E registros arqueológicos confirmam que os dois grupos dividiram territórios, ferramentas e práticas durante longos períodos.

O modelo não descarta outras pressões que afetaram os neandertais, como mudanças ambientais e baixa variabilidade genética, mas reforça que a miscigenação teve papel decisivo. Mesmo sem considerar possíveis vantagens adaptativas dos genes neandertais, o cenário de assimilação aparece como matematicamente consistente.

Fusão populacional

Para construir o modelo, os pesquisadores utilizaram dados demográficos de grupos contemporâneos de caçadores-coletores. Quando populações pequenas se cruzam repetidamente com grupos maiores, tende a ocorrer uma integração progressiva, fenômeno compatível com o que se sabe das migrações humanas no Pleistoceno.

Novas evidências sugerem que o Homo sapiens chegou à Europa antes do que se acreditava, possivelmente em ondas que começaram há mais de 200 mil anos. Cada fluxo migratório teria encontrado comunidades neandertais e contribuído para a fusão populacional.

Material genético ativo

Esse tipo de convivência prolongada também tem revisado a imagem dos neandertais. Longe de figuras caricatas, eles produziam ferramentas complexas, dominavam o fogo, criavam arte rupestre e tinham formas próprias de expressão e organização. Para parte da comunidade científica, não faz mais sentido tratá-los como uma espécie completamente separada, e sim como populações distintas de uma mesma linhagem humana.

Embora as culturas neandertais tenham desaparecido, seu material genético permanece ativo em milhões de pessoas. Dessa forma, o estudo reforça a ideia de que o fim dos neandertais não foi um apagamento, mas uma incorporação gradual às populações que acabariam por dominar a Eurásia.

Temas

Logo Forum