Onde fica a “Velha Zelândia”?
A origem do nome da Nova Zelândia está do outro lado do mundo, em uma província holandesa pouco conhecida
No mapa-múndi, não faltam lugares batizados como versões “novas” de regiões europeias. Nova York, talvez o caso mais emblemático, tornou-se tão mais famosa do que sua homônima inglesa York que muita gente sequer se lembra de que um dia existiu uma antiga. E o mesmo vale para inúmeras outras localidades que carregam essa herança nominal do período colonial.
Para ilustrar, existe uma Zelândia “velha” e ela está muito, muito longe da Nova Zelândia. A história começa em 1642, quando o navegador holandês Abel Janszoon Tasman avistou pela primeira vez a Ilha Sul do arquipélago, a maior das duas ilhas principais do país, oficialmente chamada Te Waipounamu. Ao registrarem o território, cartógrafos holandeses o batizaram de Nova Zeelandia (em holandês, Nieuw Zeeland) em homenagem à província marítima de Zelândia, nos Países Baixos. Mais tarde, o nome seria anglicizado para “New Zealand”.
Zelândia, a menos populosa das 12 províncias holandesas, é composta por ilhas e penínsulas situadas a noroeste de Antuérpia, na Bélgica, e tem como símbolo no brasão um leão emergindo das águas. O mais curioso é a distância: os dois lugares estão separados por cerca de 17.700 quilômetros, praticamente o máximo possível entre dois pontos na superfície terrestre, aproximadamente 20 mil quilômetros.
Ao longo da expansão marítima europeia, os holandeses também batizaram outras regiões com nomes que remetiam ao Velho Mundo, como Nova Amsterdã (hoje Nova York), Nova Haarlem (atual Harlem) e Nova Holanda, denominação inicial de parte da Austrália. Vários desses nomes foram posteriormente substituídos, mas Nova Zelândia resistiu ao tempo.
Hoje, o país oceânico não apenas se tornou infinitamente mais famoso do que sua “Velha” Zelândia, como também figura em destaque em rankings globais: ocupa o 2º lugar no Índice Global da Paz e também o 2º lugar no Índice de Percepção da Corrupção, entre outros indicadores positivos.
Assim como tantas outras “novas” terras batizadas pelos europeus, a Nova Zelândia representa uma espécie de ponte simbólica entre mundos, uma herança colonial que atravessou séculos e que, neste caso, liga a pequena província costeira dos Países Baixos a um dos países mais admirados do planeta.