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Mais do que Egito e México: esse é o país com mais pirâmides do mundo

Esse país abrigou impérios milenares e reinos riquíssimos, mas poucos conhecem sua história

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Historiadora e professora, formada pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Escreve sobre história, história politica e cultura.
Mais do que Egito e México: esse é o país com mais pirâmides do mundo
Pirâmides sudanesas. Wikimedia Commons

Quando se fala em pirâmides, é quase inevitável pensar no Egito Antigo, nos faraós e nas margens do rio Nilo. Outros lembram das construções monumentais das civilizações maias e astecas na América Central. Mas o país que realmente abriga o maior número de pirâmides do mundo não é nenhum desses — e sim o Sudão, no nordeste da África.

Localizado logo ao sul do Egito, o Sudão possui mais de 250 pirâmides conhecidas, ultrapassando de longe o número existente em território egípcio. Essas estruturas foram construídas há mais de 2.500 anos pela civilização núbia, especialmente pelos reinos de Cuxe, Napata e Meroé, que dominaram a região por séculos.

O Reino de Cuxe (ou Kush) foi uma das civilizações mais poderosas da Antiguidade africana. Situado ao longo do vale do Nilo, no atual norte do Sudão, o reino prosperou graças ao comércio de ouro, marfim e ébano, e ao controle de importantes rotas comerciais entre a África Central e o Mediterrâneo. Em seu auge, por volta do século VIII a.C., os reis cuxitas chegaram a conquistar o Egito e governaram como a 25ª dinastia faraônica, unificando temporariamente o Vale do Nilo sob um mesmo império. Os cuxitas deixaram como legado uma rica tradição artística, linguística e arquitetônica, expressa principalmente nas suas pirâmides funerárias, templos e inscrições hieroglíficas adaptadas.

As pirâmides sudanesas, embora menores e mais estreitas que as egípcias, impressionam pela quantidade, pela conservação e pelo papel simbólico que tiveram na história da África Antiga. Elas eram túmulos reais, erguidos para abrigar os corpos de reis, rainhas e nobres do Reino de Cuxe — uma civilização que, em determinado período, chegou a conquistar o próprio Egito e governá-lo como sua 25ª dinastia, conhecida como a dos “faraós negros”.

Representação de um príncipe núbio
(foto: wikipédia)

O principal sítio arqueológico do Sudão é Meroé, antiga capital do império núbio, localizada às margens do Nilo. Hoje, o local é considerado Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO, e abriga dezenas de pirâmides de pedra arenosa erguendo-se no deserto. As inscrições e relevos que ainda sobrevivem nas paredes revelam aspectos da religião, da realeza e do cotidiano dos antigos núbios, que misturavam elementos culturais africanos e egípcios.

Apesar de sua importância, o Sudão ainda é pouco explorado pelo turismo internacional.

As pirâmides sudanesas são um lembrete poderoso de que a história da África vai muito além do Egito. Elas representam um passado de reinos africanos sofisticados, com arte, escrita, comércio e religião próprios, que desempenharam papel central na formação cultural do continente.

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