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Nem Asteca, nem Maia: essa é a maior pirâmide do continente americano, uma maravilha da engenharia antiga

A maior pirâmide das Américas foi construída por uma civilização pré-colombiana pouco conhecida

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Historiadora e professora, formada pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Escreve sobre história, história politica e cultura.
Nem Asteca, nem Maia: essa é a maior pirâmide do continente americano, uma maravilha da engenharia antiga
A pirâmide com escadas modernas. wikipédia

Com 30 metros de altura e quase 300 metros de comprimento, o Monks Mound (ou “Monte dos Monges”) é a maior pirâmide das Américas em volume. Localizada em Collinsville, no estado de Illinois (EUA), a estrutura faz parte do sítio arqueológico de Cahokia, o maior e mais complexo assentamento pré-colombiano ao norte do México.

Datada de aproximadamente 900 d.C., a pirâmide foi erguida pela cultura mississipiana, uma sociedade indígena que floresceu nas planícies e vales do rio Mississippi entre os séculos IX e XIV. Essa civilização é conhecida por suas imponentes construções de terra, chamadas de mounds, que serviam como templos, residências de elite e plataformas cerimoniais.

O Monks Mound recebeu esse nome porque, séculos após o abandono do local, monges trapistas se estabeleceram nas proximidades durante o período colonial. No auge de Cahokia, acredita-se que a cidade chegou a abrigar entre 10 mil e 20 mil habitantes, tornando-se uma das maiores comunidades urbanas da América do Norte pré-colonial — comparável, em tamanho, às cidades medievais europeias da mesma época.

A estrutura monumental foi construída em várias etapas, com camadas sucessivas de terra trazidas manualmente por trabalhadores. No topo, havia provavelmente um grande templo de madeira, usado para rituais religiosos e cerimônias políticas. Essa disposição indica a presença de uma sociedade hierarquizada, com líderes espirituais e políticos concentrando poder.

Esculturas em pedra da cultura mississipiana
(foto: wikipédia)

A cultura mississipiana deixou marcas profundas na história indígena da América do Norte. Seus povos desenvolveram sistemas agrícolas avançados, baseados no cultivo do milho, e mantinham rotas de comércio que se estendiam por milhares de quilômetros, conectando o Golfo do México aos Grandes Lagos.

Com o tempo, fatores como mudanças climáticas, esgotamento dos recursos naturais e possíveis conflitos internos levaram ao declínio de Cahokia por volta do ano 1350. Ainda assim, o legado da cultura mississipiana permanece como um testemunho da sofisticação e complexidade das civilizações indígenas que existiram muito antes da chegada dos europeus.

Hoje, o Monks Mound é o principal destaque do Cahokia Mounds State Historic Site, reconhecido como Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1982.

Veja vídeo em inglês:

 

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