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03 de setembro de 2018, 17h46

Incêndios em instituições culturais não são novidade no Brasil. Vídeo mostra como ficou o museu

Museu de Arte Moderna, Memorial da América Latina, Liceu de Artes e Ofício, Museu da Língua Portuguesa e Cinemateca Brasileira, entre outros, tiveram seus acervos, parcial ou totalmente, destruídos pelo fogo

Tratamento gráfico: Daniel Dobravolskis Descaso do atual governo com a cultura, traduzido em excesso de burocracia, redução de investimentos, cortes orçamentários, realocação de recursos. Enfim, todos esses fatores podem ser apontados como responsáveis pelo trágico incêndio, deste domingo (2), que dizimou milhões de itens históricos e culturais que faziam parte do acervo do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Nas palavras do Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Alexandre Fortes, “a perda escancara o caráter criminoso das políticas de ‘austeridade’ transformadas em emenda constitucional”. No entanto, infelizmente, este não foi o primeiro...

Tratamento gráfico: Daniel Dobravolskis

Descaso do atual governo com a cultura, traduzido em excesso de burocracia, redução de investimentos, cortes orçamentários, realocação de recursos. Enfim, todos esses fatores podem ser apontados como responsáveis pelo trágico incêndio, deste domingo (2), que dizimou milhões de itens históricos e culturais que faziam parte do acervo do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Nas palavras do Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Alexandre Fortes, “a perda escancara o caráter criminoso das políticas de ‘austeridade’ transformadas em emenda constitucional”.

No entanto, infelizmente, este não foi o primeiro caso de museus e outras instituições culturais  no Brasil, que tiveram seus ricos acervos queimados, destruídos, total ou parcialmente. Em 1978, o Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro perdeu telas de Pablo Picasso, Joan Miró, Salvador Dalí e de centenas de artistas brasileiros queimarem em 40 minutos de incêndio. Do acervo de mais de mil peças restaram somente 50.

Em 2008, o tradicional Teatro Cultura Artística, localizado na região central de São Paulo, foi vítima de um incêndio que teve duração de três horas e meia até ser totalmente debelado. O grande painel de Di Cavalcanti que enfeitava a fachada do prédio não foi totalmente danificado. No entanto, todo o terceiro andar foi destruído e, por isso, o teto cedeu e desabou. Não houve vítimas.

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Dois anos depois, em 2010 e também em São Paulo, um incêndio atingiu o laboratório de répteis do Instituto Butantan, na capital paulista, destruindo, nada mais nada menos, do que um dos mais importantes acervos de cobras, aranhas e escorpiões para pesquisas do mundo e o principal e maior do Brasil. No total, mais de 70 mil espécies conservadas foram queimadas no local. Nenhuma pessoa ficou ferida.

Estilo neoclássico

O Rio de Janeiro sofreu com o incêndio no Palácio Universitário, campus Praia Vermelha da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 2011. O fogo teve início na capela que ficava dentro do local. O palácio era uma construção em estilo neoclássico, do século XIX, que havia abrigado o Instituto de Psiquiatria Pedro II. Na época em que pegou fogo funcionavam no prédio a Escola de Comunicação, o Instituto de Economia, a Escola de Administração, a Pedagogia, a Editora UFRJ e o Fórum de Ciência e Cultura. Também não houve vítimas.

Um dos principais equipamentos culturais de São Paulo também não escapou do fogo em 2013. O Auditório Simon Bolívar, do Memorial da América Latina, sofreu um incêndio de grandes proporções. Além de 16 feridos, perdeu, entre seu acervo, a famosa tapeçaria de Tomie Ohtake, obra em quatro cores, com área total de 800 metros quadrados. Localizada no foyer, duas outras obras foram danificadas: a escultura a “Pomba” de Alfredo Ceschiatti, e o mural “Agora”, de Victor Arruda.

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Ainda em 2013, um incêndio destruiu réplicas e cenários do Museu de Ciências Naturais da PUC de Minas Gerais, em Belo Horizonte. A instituição era dona de um dos principais acervos de fósseis de mamíferos do Brasil. Não houve vítimas.

Versão da Pietá

No ano seguinte, em 2014, a vez foi do Liceu de Artes e Ofício, no centro de São Paulo. O fogo destruiu esculturas, quadros, móveis antigos e réplicas. Entre as 35 peças atingidas, estava a versão em gesso da Pietá, de Michelangelo, cujo original em mármore fica na Basílica de São Pedro, no Vaticano.

O ano de 2015 também registrou um incêndio de grandes proporções em um importante equipamento cultural: o fogo tomou conta dos três andares e da cobertura do Museu da Língua Portuguesa, no centro de São Paulo. Como era uma segunda-feira, a casa estava fechada para o público. No entanto, um bombeiro civil morreu, depois de abrir uma porta enquanto o prédio queimava. Havia no local uma linha do tempo de 33 metros, que reconstituía a trajetória da língua portuguesa, africana e ameríndia até se encontrar no Brasil. Todo o acervo era virtual, o que permitiu sua recuperação.

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Em 2016, o fogo destruiu um galpão, onde ficava armazenada parte do acervo da Cinemateca Brasileira, localizada em São Paulo. Na época foi divulgado que queimaram perto de mil rolos de filmes. Todas as obras perdidas eram originais, mas algumas tinham cópias. A cinemateca tem um dos maiores acervos da América Latina, com aproximadamente 200 mil rolos de filmes, entre longas, curtas e cinejornais. Possui, ainda, um amplo acervo documental formado por livros, revistas, roteiros originais, fotografias e cartazes.

Agora, em 2018, o Museu Nacional do Rio de Janeiro acabou destruído pelas chamas. Dentro, mais de 20 milhões de itens da mais alta importância para o estudo do ser humano e sua história se perderam de forma irrecuperável. Até quando esse tipo de descaso vai ocorrer no Brasil? O vídeo abaixo, que mostra como ficaram algumas das instalações do museu, é sinônimo de desalento e revolta.

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