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26 de outubro de 2018, 15h45

Intelectuais franceses divulgam manifesto de repúdio a Bolsonaro e pedem voto em Haddad

Políticos, artistas e pensadores da França divulgaram documento, no qual colocam que Bolsonaro incita a “violência física e política contra as minorias”; entre as personalidades que assinam o texto estão os sociólogos Alain Touraine e Edgar Morin, e a atriz Catherine Deneuve

Foto: Ricardo Stuckert Intelectuais, políticos e artistas franceses divulgaram um manifesto, no qual fazem duras críticas ao candidato Jair Bolsonaro (PSL). Segundo o texto, “o ex-militar sustenta publicamente um discurso homofóbico, sexista e racista em relação aos negros e aos índios, incitando à violência física e política contra as minorias”, enquanto Fernando Haddad “representa o campo democrático”. Acompanhem a íntegra do texto: Informados pela imprensa brasileira e internacional, estamos acompanhando preocupados o risco real da perda das liberdades fundamentais no Brasil representado pela eventual vitória do candidato da extrema direita, Jair Bolsonaro, no segundo turno das eleições presidenciais no país....

Foto: Ricardo Stuckert

Intelectuais, políticos e artistas franceses divulgaram um manifesto, no qual fazem duras críticas ao candidato Jair Bolsonaro (PSL). Segundo o texto, “o ex-militar sustenta publicamente um discurso homofóbico, sexista e racista em relação aos negros e aos índios, incitando à violência física e política contra as minorias”, enquanto Fernando Haddad “representa o campo democrático”.

Acompanhem a íntegra do texto:

Informados pela imprensa brasileira e internacional, estamos acompanhando preocupados o risco real da perda das liberdades fundamentais no Brasil representado pela eventual vitória do candidato da extrema direita, Jair Bolsonaro, no segundo turno das eleições presidenciais no país.

Motivados pelos laços que unem os dois países, gostaríamos de manifestar a nossa imensa preocupação, nos dirigindo em particular aos eleitores brasileiros indecisos, para que se posicionem a favor da democracia no Brasil.

O candidato de extrema direita, ex-capitão do exército, denigre as forças armadas ao elogiar publicamente a prática da tortura, assim como a eliminação física de oponentes políticos. Sua trajetória e seu discurso político traduzem um desprezo aos direitos humanos, aos princípios básicos da democracia e ao debate eleitoral, do qual ele se recusa a participar. Sua campanha, elaborada por Steve Bannon, ex-conselheiro de Donald Trump, é baseada em declarações provocadoras, notícias falsas, e “tweets” postados em redes sociais.

O ex-militar sustenta publicamente um discurso homofóbico, sexista e racista em relação aos negros e aos índios, incitando à violência física e política contra as minorias.

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Desde que começou esse discurso do ódio, ele já tem sido traduzido de forma concreta: na primeira semana que seguiu à votação já foram registrados em todo o País cerca de 50 casos de agressões físicas de caráter político, sexista ou homofóbico realizadas por alguns de seus seguidores, e um assassinato em Salvador.

A história do século XX nos ensinou muito quanto às consequências da ruptura do pacto democrático: a onda de ódio, a perseguição às minorias e o uso da violência. Se essa ruptura seduziu parte das populações em tempos de crise econômica e política, foi uma ação irreversível, com consequências humanas desastrosas, sem, contudo, solucionar os problemas sociais e econômicos como preconizava.

Tal opção política poderá ter consequências nefastas não apenas para a democracia brasileira, mas também para o continente latino-americano e para as relações com a comunidade internacional – notadamente com a França.

Nossa preocupação diz respeito ainda aos discursos desse candidato sobre o meio ambiente. Caso seja eleito, ele afirma extinguir o Ministério do Meio Ambiente e retirar o Brasil dos acordos internacionais sobre o clima, incluindo a COP 21 (4). Seu apoio declarado aos lobbies do agronegócio nos permite entrever, caso ele seja eleito, uma aceleração sem precedentes do extermínio dos índios, da destruição da floresta amazônica e do meio ambiente no Brasil, que teriam um impacto global inegável sobre clima mundial, com consequências negativas nas negociações comerciais internacionais.

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O candidato extremista representa a negação de valores básicos, como a tolerância e a proteção em relação às minorias e diferenças, às liberdades individuais, à preservação do meio ambiente e do nosso planeta. Ele renega as conquistas democráticas que foram duramente conquistadas após a ditadura militar.

Ao contrário, Fernando Haddad, o outro candidato que concorre à presidência no segundo turno, tem mostrado em diversas ocasiões que representa o campo democrático. O Partido dos Trabalhadores, ao qual é afiliado, cometeu faltas graves, mas segue firme em seu compromisso com a democracia.

Brasileiros, brasileiras, não se isolem! Não abandonem os seus valores. O medo não justifica tudo. Queremos poder continuar ao seu lado. A França e o mundo precisam de um Brasil democrático. Agora mais do que nunca.

Brasileiros, vocês são um grande povo que se emancipou da colonização e que aboliu a escravidão. Vocês sofreram uma feroz ditadura militar da qual se libertaram. Rejeitem a tentação de uma cólera justa nas suas motivações, porém cega nas suas consequências. Caro povo-irmão, filhos de uma grande nação que deve permanecer independente: nós, fiéis amigos do Brasil, admiradores de sua cultura, apelamos à sua lucidez.

Até agora assinaram:

Elizabeth de Portzamparc, arquiteta, socióloga, Presidenta de 2Portzamparc

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Michel Wieviorka, sociólogo, Presidente da Fondation Maison des sciences de l’Homme

Edgar Morin, sociólogo

Antoine Hennion, sociólogo

Alain Touraine, sociólogo

Amy Dahan, Diretora de Pesquisas do CNRS (Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica)

Jean-Louis Cohen, Professor de História da Arquitetura, Institute of Fine Arts, New York University, Professor do Collège de France

Christian de Portzamparc, arquiteto, urbanista, Pritzker Prize & Praemium Imperiale

Jean Nouvel, arquiteto, Pritzker Prize & Praemium Imperiale

Dominique Perrault, arquiteto, Praemium Imperiale

Patrick Bouchain, arquiteto

Yannick Jadot, Deputado Europeu, ambientalista

Vincent Capo-Canellas, Senador

Edith Cresson, antiga Primeira-Ministra francesa

Jack Lang, Presidente do Instituto do Mondo Arabe, ex-Ministro

Yves Dauge, antigo Senador, da ACCR

Pierre Mansat, político francês

Thierry Mandon, antigo Secretário do Estado Francês responsável por Ensino Superior e da Pesquisa

Alain Dinin, Presidente-Diretor Geral da Nexity

Laurent Dumas, Presidente-Diretor Geral da Emmerige

Jean-Philippe Adam, Diretor Geral do Crédit Agricole Immobilier

Robert Lion, presidente de diversas associações e ex-Diretor Geral da Caisse des Dépôts et Consignations

Daniel Chabod, Presidente-Diretor Geral da Sacicap de l’Anjou

Bruno Mantovani, Diretor do Conservatório Nacional Superior de Música e de Dança de Paris

Philippe Sollers, escritor

Laure Adler, jornalista

Benoit Jacquot, diretor de cinema

Catherine Deneuve, atriz

Roberto Cabot, artista

Gérard Fromanger, pintor

Miguel Chevalier, artista

Christian Boltanski, artista

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