Blog do George Marques

direto do Congresso Nacional

30 de abril de 2019, 06h00

Intervenções de Bolsonaro causam prejuízo à Petrobras e Banco do Brasil e preocupam mercado

Quem esperava um Bolsonaro tutelado por certos setores de seu governo vai percebendo que estava equivocado; Presidente demonstra mais uma vez que ainda não se acostumou com o papel de presidente da República

(Ribeirão Preto - SP, 29/04/2019) Presidente da República, Jair Bolsonaro durante visita a estande da Agrishow 2019. Foto: Alan Santos/PR

Dezoito dias após ter feito a Petrobras perder R$ 32 bilhões de seu valor de mercado, ao vetar o reajuste no preço do diesel, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) desencadeou uma nova turbulência no mercado financeiro nesta segunda-feira (29). Desta vez o prejuízo atingiu as ações do Banco do Brasil, logo após o chefe do Executivo solicitar ao presidente da instituição, Rubem Novaes, juros mais baixos para os produtores rurais.

Ao anunciar R$ 1 bilhão para o seguro rural, durante evento do setor agrícola em Ribeirão Preto (SP), Bolsonaro demonstrou mais uma vez que ainda não se acostumou com o papel de presidente da República.

“Eu apenas apelo, Rubem (Novaes), me permite fazer uma brincadeira aqui. Eu apenas apelo para o seu coração, para o seu patriotismo, para que esses juros, tendo em vista você parecer ser um cristão de verdade, caiam um pouquinho mais. Tenho certeza de que as nossas orações tocarão seu coração”.

Logo após a ação intervencionista, o porta voz da Presidência, Otavio Rego Barros, afirmou nesta segunda que o presidente Jair Bolsonaro “não quer e não intervirá” na política de juros do Banco do Brasil.

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Não demorou para que as ações do BB passassem a operar em baixa, depois de terem avançado mais de 1% durante a manhã. O mercado ainda tenta digerir a intervenção na publicidade do banco. Internamente diretores estão preocupados com a possível queda do número de contas abertas após o presidente não ter gostado de uma campanha publicitária que apostava na diversidade.

Mito desconstruído

Quatro meses depois da posse, cai alguns mitos construídos na campanha em torno do “Mito”. Um deles é quanto à autonomia que seria dada a determinados ministros, especialmente Paulo Guedes, o “Posto Ipiranga” da economia.

Quem esperava um Bolsonaro tutelado por certos setores de seu governo, rápido vai percebendo que estava equivocado. Bolsonaro exerce a sua Presidência. O que não quer dizer exatamente que isso seja de todo bom.

Por mais que se torça para que esse governo dê certo, para o bem do país, fica cada vez mais difícil acreditar que isso seja possível. Basta que o presidente ou seus filhos abram a boca, conscientemente ou não, para o país sentir o tranco e a população pagar a conta.

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