DISCRIMINAÇÃO

VÍDEO: Vereador de Olinda chama colega de “viado” durante sessão

Após ouvir temos homofóbicos de Jojó Guerra (PL), Vinicius Castello (PT) rebateu: “conservadorismo e narrativa bolsonarista”

O vereador Jojó Guerra.Créditos: Reprodução/Youtube
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O vereador de Olinda (PE), Jojó Guerra (PL), utilizou termos homofóbicos para se dirigir ao colega Vinicius Castello (PT), em plena sessão da Câmara Municipal. O bolsonarista chamou o adversário político de “viado”.

“Como você bem fala e brinca, né? Eu acho que, nesse momento, posso falar isso, se você declara que você é um viado. Eu acho que você ter feito esse papel e ter defendido o que você escolheu, é direito seu. Diferentemente de outras pessoas. Que você como viado mesmo, é muito mais homem”, afirmou Guerra.

Em seguida, ele foi interrompido pelo presidente da Câmara, Saulo Holanda (Solidariedade), que pediu que o parlamentar tivesse respeito. Ele, inclusive, ameaçou abrir uma denúncia contra ele no Conselho de Ética da Casa.

"Não entendi o que o senhor falou, faltou respeito dentro da casa. O senhor está fazendo quebra de decoro, posso mandar a comissão de ética atuar em cima do senhor. Respeito é respeito, você pode ter compromisso com sua igreja e religião, mas respeito aqui dentro. Vou abrir o conselho de ética contra o senhor. O senhor já faltou com respeito na outra sessão", disse o presidente, recebendo aplausos.

O bolsonarista afirmou, ainda, que foi julgado na Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Pernambuco, da qual é fiel, porque foi dito que ele votou a favor de um projeto de Vinicius Castello.

“As pessoas que são evangélicas, igual a mim aqui, comunicaram ao Jurídico, ao Administrativo, para não colocarem o nome delas. O discípulo do prefeito professor Lupércio [prefeito de Olinda] pegou esse vídeo, levou para o lado dentro da comunidade para dizer que eu tinha votado a favor dos gays, LGBTQIA+, para estarem dentro das igrejas fazendo o que quisessem fazer, se casar, de estar lá frequentando” insistiu.

Vinicius Castello esclareceu que o projeto não tem ligação com qualquer religião. Apenas proíbe a discriminação por questões de orientação sexual e de gênero. O petista destacou, ainda, que, depois de disseminação de notícias falsas e pressão da igreja, foi sancionado com vetos do Executivo Municipal.

“O intuito era a gente conseguir implementar política pública no combate à discriminação por essas questões de gênero e sexualidade. Após aprovado, houve alguns vetos, mas esses vetos decorreram de um ataque de ódio direcionado para a minha pessoa, principalmente em páginas de ultradireita, que mentiram informando que eu queria colocar placas LGBTs nas igrejas”, declarou, em entrevista a Priscilla Aguiar, no G1.

Castello diz que Guerra não tem direito de se referir a ele da forma que fez

“Por mais que eu fale que eu seja uma pessoa LGBT, por mais que eu fale que seja bicha, viado ou o que for, sou eu falando. Eu não estou dando permissibilidade para que outras pessoas falem também, como se tivessem no direito de falar”, disse o vereador petista.

“Há uma seletividade sobre quem pode ou não pautar, pode ou não estar, pode ou não atuar, e isso é algo que eu tenho passado durante esses últimos meses diante de tantos ataques de uma ultradireita. O conservadorismo e a narrativa bolsonarista, infelizmente, atingem a atuação e a defesa de todas as pessoas, independentemente de qualquer questão, seja por gênero ou sexualidade”, acrescentou.