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29 de agosto de 2019, 17h27

29 de agosto é Dia da Visibilidade Lésbica

"Trazer a visibilidade das lésbicas no contexto atual faz com que cada vez mais a gente se empodere e a gente diga 'eu sou alguém tanto quanto você'", declarou a ativista Marcelle Esteves à ONU; entenda a data

Bandeira da Visibilidade Lésbica (Reprodução)

Celebrado na data em que ocorreu o primeiro Seminário Nacional de Lésbicas (Senale), em 29 de agosto de 1996, o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica tem como objetivo principal expor as lutas e reivindicações das mulheres lésbicas e a questão do apagamento a que são submetidas. A data tem um caráter de reafirmação, reconhecimento e também de resistência.

A cantora Daniela Mercury foi uma das que usou a hashtag #VisibilidadeLésbica para se manifestar nas redes e comemorar a data. Ela postou uma foto ao lado da esposa, Malu Verçosa Mercury, com tag da data e da campanha da ONU “Livres e Iguais”. Na imagem a artista ainda cita uma frase de Mahatma Gandhi: “O amor é a força mais sutil do mundo”.

A ONU Brasil usou as redes para divulgar o dia através da campanha, mencionada por Mercury. “Sem medo de ser feliz. Em toda a nossa diversidade. A campanha da ONU ‘Livres & Iguais’ conversou com mulheres lésbicas de todo o Brasil para dar esse recado no Dia Nacional da Visibilidade Lésbica”, publicou a conta da organização nas redes sociais.

“Trazer a visibilidade das lésbicas no contexto atual faz com que cada vez mais a gente se empodere e a gente diga ‘eu sou alguém tanto quanto você’. Meu desejo não pode me fazer menos porque, na sua visão, esse desejo não existe”, disse Marcelle Esteves, do Grupo Arco-Íris, à campanha.

Nas entrevistas realizadas pela Livres e Iguais, foram destacados pontos como a intercessão das lutas e preconceitos da sociedade. Para Maiara Lopes, uma das entrevistadas, ser mulher lésbica é “quebrar todos os tipos de preconceitos, mostrando que mulheres pretas estão se amando, sendo felizes, construindo suas famílias”.

A jornalista Camila Marins, da Revista Brejeiras, um projeto feito por lésbicas e para lésbicas, considera que na data é necessário também se pensar na produção de mais informações e dados sobre as mulheres lésbicas, até mesmo para a formulação de políticas públicas. “Precisamos de uma política que notifique quantas lésbicas estão acessando serviços públicos de saúde, educação, moradia. Quando falamos de visibilidade, falamos de formulação de políticas públicas específicas de mulheres lésbicas que, por exemplo, tem dificuldade nos consultórios ginecológicos”, declarou ao Brasil de Fato.

Segundo o Dossiê Lesbocídio no Brasil, publicado em 2017 por um grupo de pesquisadoras da UFRJ e apresentado em 2018 ao Ministério de Direitos Humanos, o assassinato de mulheres pela sua orientação sexual cresceu cerca de 150% entre os anos de 2014 e 2017. Segundo as autoras, o dossiê “tem como foco de suas atividades o resgate de informações e histórias de lésbicas vítimas de lesbocídios no Brasil atuando em dois planos: criando um espaço de memória coletiva das lésbicas assassinadas e que cometeram suicídio; e apresentando a demanda de atenção aos casos às instituições competentes”.

Ocupa Sapatão

O dia de hoje também trará eventos que buscam ampliar ainda mais a visibilidade lésbica. Um deles é o Ocupa Sapatão, realizado há três anos na Praça da Cinelândia, no Rio de Janeiro, em frente à Câmara de Vereadores da capital fluminense. São mais de cinco horas de shows com o tema “Livres e vivas nos queremos! Pela desmilitarização das ruas”. Mônica Benício, viúva de Marielle Franco, e a Revista Brejeiras são convidadas especiais do festival.

 

 


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