Alvo de transfobia, Duda Salabert decide não fazer denúncia formal: “Educar é mais importante que punir”

Vereadora, que teve atendimento recusado em salão de beleza em shopping por ser uma mulher trans, aposta em ações educativas para lidar com o problema

A vereadora Duda Salabert (PDT-MG), que foi vítima de transfobia em um salão de beleza do Shopping Cidade, em Belo Horizonte (MG), na última segunda-feira (25), decidiu não fazer uma denúncia formal contra o estabelecimento.

Para a pedetista, que foi em 2018 a vereadora mais votada da história da capital mineira, “educar é mais importante que punir”.

Através das redes sociais, Duda informou que conversou com a dona do salão, com o Ministério Público e representantes do shopping. Segundo ela, o ocorrido motivará uma campanha educativa a ser promovida pelo centro de compras mineiro.

“Liguei p/a proprietária da loja e pedi p/ que não demitisse as funcionárias que recusaram atender-me pelo fato de eu ser trans caso elas tivessem refletido e se arrependido do ocorrido. Ela me disse que houve não apenas o arrependimento, mas também o pedido de desculpas e o comprometimento em ajudar na luta contra discriminação”, escreveu a vereadora.

Duda explicou que “não está diminuindo o peso da transfobia” e que “recusar atendimento a uma trans pode se configurar como um crime inafiançável”. Professora, a vereadora pondera, contudo, que para mudar a realidade de marginalização a que pessoas trans são submetidas, “é necessário criar novas consciências através de ações educativas que enfrentem o apagamento histórico que há acerca da realidade trans. É esse o caminho que acredito: educação”.

“Agradeço as milhares de mensagens de carinho que recebi. Reforço que transfobia é crime. Reforço que nem sempre o melhor caminho é o penal. Reforço também que acredito no poder transformador do diálogo, da palavra e da educação – por isso me tornei professora de literatura”, finalizou.

Relembre o caso

Duda Salabert (PDT) denunciou na segunda-feira (25) um caso de transfobia que foi vítima. Segundo a parlamentar, ela esteve em um salão de beleza no Shopping Cidade, na capital mineira, para fazer a sobrancelha, mas teve o atendimento recusado por ser uma mulher trans.

Em suas redes sociais, Duda reproduziu o diálogo que teve e, segundo ela, uma funcionária afirmou que no local só se faria “sobrancelha feminina” e que lá “homens” não seriam atendidos.

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A vereadora afirmou que é uma mulher trans e, mesmo assim, a atendente endossada pelas funcionárias, teria dito: “Não te atenderemos”.

“Recusaram me atender por eu ser uma mulher transexual. Amostra da transfobia diária desse país”, lamentou Duda.

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Ivan Longo

Jornalista, editor de Política, desde 2014 na revista Fórum. Formado pela Faculdade Cásper Líbero (SP). Twitter @ivanlongo_

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