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04 de março de 2020, 10h59

Assembleia Legislativa do RS realizará palestra sobre “epidemia trans”

Em resposta, a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) publicou uma nota de repúdio dizendo que evento é tendencioso e de "cunho patologizante"

Reprodução

A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul realizará no próximo dia 18 uma palestra chamada “Epidemia de Transgêneros: o que está acontecendo com as nossas crianças?”. O evento será ministrado pela médica psiquiatra Akemi Shiba a convite do deputado Eric Lins (DEM). Ambos fazem parte do grupo “Escola Sem Doutrinação”, que segue a mesma linha do “Escola Sem Partido”.

Com isso, tanto a palestrante quanto o idealizador entendem que a escola não pode tratar de temas relacionados à formação crítica dos alunos, e isso inclui educação sexual e temas como identidade de gênero.

De acordo com reportagem da Carta Capital, a psiquiatra Akemi Shiba é contra o tratamento hormonal em adolescentes até os 16 anos, além de defender que cirurgias só podem acontecer depois dos 21 – ambos são um ataque aos direitos das crianças trans. Além disso, ao tratar a transexualidade como epidemia, a médica está classificando como doença algo que a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) já esclareceu que não é.

Em artigo publicado no site “Articulação Conservadora”, a psiquiatra justifica sua opinião baseada em uma organização religiosa de pediatras dos EUA. Um dos temas que a American College of Pediatricians defende é que família é formado por pai e mãe e que sexo seja feito só depois do casamento.

Como resposta à palestra, a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), responsável pelas principais pesquisas de violência contra essa comunidade no Brasil, publicou uma nota de repúdio ao evento e disse que o tema é tendencioso.

“A ANTRA vem a público manifestar o seu repúdio perante a realização de um evento previsto para acontecer na assembléia legislativa do Rio Grande do Sul, que tem como objetivo principal disseminar informações tendenciosas e de cunho patologizante em relação aos cuidados de saúde das pessoas trans, especialmente crianças e adolescentes, com intuito de negar o acesso à saúde dessas pessoas”, diz trecho da nota.

Confira o texto na íntegra.



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