Após censura homofóbica em Criciúma, Criolo realiza ação pró-LGBT na cidade

Um professor da rede municipal da cidade foi demitido após exibir o vídeo da música "Etérea"; prefeito tucano afirmou que "não permite viadagem"

Um professor de artes do nono ano da Escola Municipal Pascoal Meller, que fica no Bairro Santa Augusta, em Criciúma (SC), foi demitido após exibir o vídeo da música “Etérea” do cantor Criolo.

No vídeo, o rapper questiona a fixidez das identidades sexuais e artistas LGBT se apresentam ao longo do clipe para representar as outras performances possíveis da sexualidade para além da heterossexual.

O prefeito Clésio Salvaro (PSDB), ao tomar conhecimento, demitiu o professor, que era contratado como temporário, e classificou o vídeo do cantor Criolo como “viadagem”.

“Já estou determinando a imediata exoneração daquele professor que em sala de aula expôs um vídeo erotizado, inapropriado, para alunos do município. Nós não permitimos, não toleramos, está demitido esse professor. Nas escolas do município, enquanto eu estiver aqui de plantão, isso não vai acontecer. Essa viadagem na sala de aula nós não concordamos”, disse o prefeito.

“Um canalha quase hétero”

Logo após tomar conhecimento do ocorrido, o cantor se pronunciou por meio de sua equipe e ressaltou que o clipe e o domcumentário de “Etérea”, que foi realizado com artistas LGBT não possui nenhum tipo de restrição no Youtube e que já promoveu debates e reflexões em festivais de cinema e instituições de arte.

Mas, o cantor não ficou apenas no comunicado e resolveu promover uma ação em conjunto com a Parada LGBT de Criciúma.

Com a legenda “Um canalha quase hétero”, em crítica direta ao prefeito de extrema direita da cidade, o artista aparece segurando uma placa onde pede para as pessoas comparecerem à Parada e levarem um 1kg de alimento não perecível.

“É necessário quebrar os padrões, é necessário abrir discussões”

Após tomar conhecimento da demissão do professor por exibir o vídeo de “Etérea”, a equipe do cantor afirma que, “mais uma vez, desde o seu lançameto, o clipe e o documentário da música abrem espaço para o debate na sociedade brasileira, após a lamentável demissão de um professor depois de exibir o projeto em sala”.

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No comunicado, Criolo destaca que “tanto o clipe como o documentário, ambos sem nenhum tipo de restrição pelas diretrizes do YouTube, já foram exibidos em diversos festivais de cinema e instituições de arte, música e dança”.

“Compartilhamos orgulhosamente o documentário novamente aqui, na esperança de que ele possa chegar mais longe, com mais pessoas entendendo e refletindo sobre o que acontece em nosso território e como o Brasil se tornou o país que mais mata sua população LGBTQIA+ em todo o planeta”, finaliza a nota.

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Confira abaixo o clipe e a música de Criolo que geraram revolta em Criciúma:

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).

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