Em MG, homem gay é dopado, tem o corpo cortado com faca e testa desenhada com suástica nazista

Polícia procura pelo suposto grupo neonazista que atacou o dono de uma lan house na região metropolitana de Belo Horizonte

A Polícia Civil investiga e busca por pistas sobre o paradeiro de neonazistas que atacaram um homem gay na cidade de Itaguara, região metropolitana de Belo Horizonte (MG), na noite desta terça-feira (14).

A vítima, que tem 48 anos e cuja identidade não foi divulgada, é dono de uma pequena lan house, que fica no mesmo local em que mora, e foi abordado por um grupo de quatro homens armado com faca.

Segundo o relato do homem, que registrou boletim de ocorrência, os agressores o doparam com um líquido injetado em seu pescoço através de uma seringa, o cortaram e desenharam uma suástica nazista em sua testa.

“Quando eu fui fechar o portão, ele já estava com uma faca na mão. Ele falou ‘abre, senão eu furo sua barriga’. Entrou, puxou a janela, puxou a cortina e começou me dando uns tapas. Depois, deu chutes. Escreveram no meu abdômen, na minha testa, aplicaram uma substância na minha carótida e depois foram aplicando alguma coisa dolorosa nas costas, do trajeto que eles queriam cortar, e foram cortando”, disse a vítima à Rádio Itatiaia.

Neonazismo e homofobia

Ele acredita que a motivação do crime seja homofobia, já que o mesmo grupo teria o abordado na semana anterior, o chamando de “porco gay”. Como perto do local onde foram feitos os xingamentos, uma praça pública, havia uma viatura da Polícia Militar, o homem se aproximou dos policiais e os agressores se afastaram. Na ocasião, no entanto, ele optou por não registrar ocorrência.

Já na terça-feira o grupo foi até a sua lan house e o atacou logo após ele se despedir da última cliente. Além da suástica e dos cortes, os criminosos desenharam, na barriga da vítima, um olho com a frase: “Na próxima você morre”.

Reprodução

“Nós fomos acionados pelo Samu, que encontrou o homem caído no chão da casa e muito confuso. Os suspeitos fizeram esses cortes nas costas dele, até na região do ânus, parecendo que estavam tentando fazer a cruz suástica. Ele foi levado para a Santa Casa de Misericórdia, onde ficou internado em observação”, disse ao jornal O Tempo o sargento Sandro Rocha.

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“Eu estou aqui na cidade de Itaguara servindo há um tempo e eu jamais deparei com esses indivíduos. Já repassei para tropa para ficarmos atentos agora quanto a essas situações. Tendo em vista que ele disse que todos são tatuados e as características são iguais. Ele estava um pouco confuso nas informações e frisava a todo tempo que a questão era pela opção sexual dele e que os caras eram nazistas e não aceitavam ele ser gay”, prosseguiu o policial.

*Com informações da Rádio Itatiaia e jornal O Tempo

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Ivan Longo

Jornalista, editor de Política, desde 2014 na revista Fórum. Formado pela Faculdade Cásper Líbero (SP). Twitter @ivanlongo_

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