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01 de julho de 2019, 08h10

Gestão Bruno Covas fecha centro de atendimento LGBT em São Paulo

Criado em 2008, o Centro de Referência e Defesa da Diversidade atende cerca de mil pessoas LGBT por mês e promove acolhimento e reinserção social

Reprodução/Facebook

Após cortes de verbas promovido pelo prefeito de São Paulo, Bruno Covas, o Centro de Referência e Defesa da Diversidade (CRD) deve fechar as portas nesta segunda-feira (1). Criado em 2008, o centro atende cerca de mil pessoas LGBT por mês e promove acolhimento e reinserção social.

O CRD possui uma verba anual de R$ 1,1 milhão, repassada para a organização Pela Vidda, que presta contas mensalmente. Em dezembro, outra organização venceu o edital da prefeitura, mas não apresentou a documentação necessária para assumir o espaço. Com isso, a Pela Vidda continuou em caráter emergencial e esperava a assinatura de um contrato em junho, que não ocorreu devido a “cortes”.

Em nota, a secretaria de Desenvolvimento Social afirmou que o centro será fechado porque “a secretaria de Direitos Humanos tem a mesma finalidade”. Segundo a prefeitura os atendimentos vão continuar em outro serviço.

Organizações de direitos LGBT lamentaram a decisão. Brunna Valin, técnica do CRD, questionou a mudança: “Somos o único serviço no Brasil que atende essa população na área da assistência social. Onde as pessoas vão ser acolhidas? Que tipo de atendimento elas vão ter em outro serviço que não está preparado para atender a essa população? Não entra só a questão da orientação sexual e identidade de gênero, mas em relação a estigma, preconceito, à marginalidade que essa população se encontra”.

Brunna ainda destacou que o trabalho, que atende principalmente pessoas em situação de maior vulnerabilidade, como mulheres trans e travestis trabalhadoras sexuais, moradores de rua e pessoas expulsas de casa, não é “de inclusão”. “É reinserção mesmo, para reinserir esse cidadão ou cidadã em um lugar do qual eles já foram expulsos, excluídos”, afirmou à Agência AIDS.

Durante a Parada LGBT de São Paulo, no dia 23, ativistas se manifestaram contra a decisão e ainda esperavam uma reviravolta, que não ocorreu.


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