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12 de julho de 2018, 10h29

Marcio França contribuiu para violência contra PM gay, diz Ariel de Castro Alves

Na opinião do advogado e coordenador do Condepe, o governador de São Paulo deveria ter sido sensível às ameaças sofridas pelo policial militar

Em um áudio que a reportagem da Fórum teve acesso dias depois de a gravação do beijo no metrô viralizar nas redes sociais, o soldado Leandro Prior pedia a intermediação de um encontro com o governador de São Paulo, Márcio França. O objetivo do PM era pedir proteção contra as ameaças de morte contra ele e a família. A reunião não aconteceu e o governador fez críticas públicas à conduta de Prior. “Eu não vejo significado de você usar coldre, farda, e ficar fazendo gestos de amor expresso em público, seja com homem ou mulher”, disse o governador.

O advogado e coordenador do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe-SP), Ariel de Castro Alves, condenou as declarações do governador no caso. Ele não tem dúvidas de que, ao se posicionar publicamente com críticas ao policial, Márcio França incitou a elevação das ameaças contra o soldado.

“O governador contribuiu para que mais ofensas ocorressem contra o policial militar. Colaborou para a incitação da violência. Ele diz quase que textualmente que o policial desrespeitou a farda, o que é um absurdo. Policiais heterossexuais beijam suas esposas, fardados, na entrada e saída do trabalho. Não há sentido em cobrar de um policial homossexual uma postura que nunca foi cobrada a ninguém na Polícia Militar”, afirmou o advogado.

Assim que o caso ganhou as manchetes de sites de notícias, a Polícia Militar emitiu nota sobre o caso. Um processo administrativo foi aberto contra o soldado por “postura incompatível com os procedimentos de segurança que se espera de um policial fardado e armado”. O principal apontamento da PM contra Prior foi o coldre, suporte para a Taurus .40 que portava, estar aberto. O advogado especialista em Direitos Humanos lamentou que em nenhum momento o comando da corporação veio a público condenar as ameaças contra o policial.

“A Polícia Militar é uma instituição sustentada no respeito à hierarquia. O repúdio às intimidações poderia fazer cessar as ameaças e ofensas porque teria um efeito junto aos policiais militares e seus admiradores”, salientou o advogado.

Ele defende a necessidade da criação de núcleos de sensibilização dentro da Polícia Militar contra o preconceito. “Em médio e longo prazo é preciso investir na formação dos policiais no que tange aos direitos humanos. É preciso qualificar o policial com cursos de capacitação ministrados por ativistas para que se evite a disseminação do ódio e da intolerância contra homossexuais”, declarou.

Vídeo vazado nas redes sociais

A vida do soldado Leandro Prior virou do avesso desde que um vídeo em que beija um rapaz na boca no metrô paulista viralizou nas redes sociais e em grupos de Whatsapp formado por policiais militares. Ele denuncia uma sequência de ameaças de colegas de farda. Em um dos textos publicado na página de um sargento policial militar da Rota, há a incitação da morte do policial homossexual a pedradas. O caso é investigado pela Polícia Militar que abriu investigação contra o dono da página no Facebook e também contra Prior. A alegação da PM é que o soldado estava com o coldre aberto.


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