“Dois viados”: além de dono de lanchonete, padre do MT também ataca jornalistas gays

MP vai investigar declaração do padre Antônio Müller contra os jornalistas Erick Rianelli e Pedro Figueiredo; padre Julio, de SP, prestou solidariedade ao casal: "Homofobia é crime"

No início desta semana, repercutiu nas redes sociais uma declaração homofóbica contra um casal de jornalistas gays da Globo feita pelo empresário Alexandre Geleia, dono de uma lanchonete em Brasília. No Dia dos Namorados de 2020, o repórter Erick Rianelli, que trabalha na afiliada da TV Globo de Brasília, fez uma declaração ao vivo para o seu companheiro, o também jornalista Pedro Figueiredo.

O vídeo com a declaração de amor voltou a circular na última semana em razão do Dia dos Namorados e, em um grupo de empresários, Alexandre Geleia disparou uma mensagem que rapidamente viralizou.

“Estou com 47 anos e a única coisa que o meu pai me ensinou na minha vida foi expor os meus sentimentos, expor o que eu penso, expor o que eu acho… só acho que não é necessário, não precisa expor em TV aberta, em um jornal, expor esse tipo de coisa, não vou mudar a minha opinião”, escreveu o empresário.

A reação foi rápida. Erick Rianelli respondeu e pediu às pessoas LGBT para que não comam na lanchonete de Geleia e a campanha pelo boicote ao estabelecimento cresceu nas redes.

O empresário, porém, não foi o único que atacou o casal de jornalistas. Em seu sermão na Paróquia de Tapurá, no último domingo (13), o padre Paulo Antônio Müller também proferiu ofensas homofóbicas. “A gente faz um namoro, não como a Globo apresentou essa semana. Dois viados. Desculpa, dois viados. Um repórter com um veadinho, chamado Pedrinho. ‘Prepara meu almoço, tô chegando, tô com saudade’. Ridículo! Que chamem a união de dois viados, duas lésbicas, como querem, mas não de casamento”, disparou o religoso.

Nesta quinta-feira (17), o Ministério Público do Mato Grosso (MP-MT) abriu uma investigação para apurar a conduta de Müller e, eventualmente, oferecer denúncia por crime de homofobia. “As declarações do padre extrapolaram a liberdade religiosa e podem resultar em medidas extrajudiciais, de ação civil pública por dano moral coletivo causado à sociedade, bem como ação penal, por eventual crime cometido”, informou o órgão.

Postura bem diferente que a do padre do Mato Grosso teve o padre Julio Lancellotti, de São Paulo. Referência no trabalho social junto à população em situação de rua, dependentes químicos e LGBT’s, o religioso prestou solidariedade a Erick Rianelli e Pedro Figueiredo. “Homofobia é crime!”, exclamou Lancellotti em uma postagem nas redes sociais.

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Ivan Longo

Jornalista, editor de Política, desde 2014 na revista Fórum. Formado pela Faculdade Cásper Líbero (SP). Twitter @ivanlongo_

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