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13 de julho de 2018, 12h56

Segurança sugere banheiro masculino a mulher no CCBB do Rio; leia o texto dela

“Deixe que os outros se definam ou não. E também paro pra observar o quanto um corpo fora do padrão esperado gera dúvidas”, escreveu ela

(Foto: Reprodução Facebook)

A mulher cisgênero Gessica Justino foi orientada pelo segurança do CCBB do Rio de Janeiro a usar o banheiro masculino. Ela resistiu e usou o feminino mesmo, mas desistiu de assistir à exposição e escreveu um texto revelador em sua página no Facebook.

 

“Deixe que os outros se definam ou não. E também paro pra observar o quanto um corpo fora do padrão esperado gera dúvidas, desconforto, preconceitos e limitações (posta pelo outro)”, escreveu ela.

Leia o texto na íntegra abaixo.

O dia que precisei de aval para usar o banheiro no CCBB

Por Gessica Justino*

Nem parece, mas até que fiquei feliz quando o segurança do CCBB RJ tentou me impedir de usar o banheiro feminino. Segundo ele eu deveria usar o masculino. Tudo bem, mas preferi o feminino mesmo. Rsrsrs. Ele saiu fugido. Talvez tenha achado que eu ia fazer um escândalo.

Pensei que valia mais enxergar o lado positivo desse desconforto. Por mais que estivesse vestida com trajes “ultra femininos” o cara achou que pudesse ser homem… e até podia mesmo. A cada dia que passa a roupa define menos o gênero das pessoas. Na real, a cada dia mais temos menos necessidade de definir os outros.

Deixe que os outros se definam ou não. E também paro pra observar o quanto um corpo fora do padrão esperado gera dúvidas, desconforto, preconceitos e limitações (posta pelo outro). Me defino hétero. Isso pode até ser um privilégio. Mas ainda me incomodo e preocupo na dificuldade que trans, travestis, fluidos, são tratados em situações que devem ser comuns a qualquer ser humano.

Não quis mais ver a exposição porque minha cabeça me levou pra outro lugar.

Fui pegar um sol antes que alguém coloque um tapume e impeça que ele continue sendo para todos.

*Géssica Justino é produtora criativa.

Resposta

Ao final da tarde, o CCBB enviou uma nota sobre o caso:

“A postura relatada não é a que esperamos de nossos colaboradores . O CCBB informa que faz um trabalho constante de sensibilização dos funcionários e reforça o treinamento sempre que casos são levados à administração do espaço cultural”.


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