Vereadora trans de Niterói afirma que vereador bolsonarista a chamou de “vagabundo” e tentou agredi-la

"Chorei, senti medo, senti a dor de ser mulher negra e trans na política", disse Benny Briolly (PSOL) após denunciar tentativa de agressão de Douglas Gomes (PTC)

A vereadora Benny Briolly (PSOL-RJ), de Niterói, denunciou na noite desta quinta-feira (25) uma suposta tentativa de agressão física por parte do vereador bolsonarista Douglas Gomes (PTC-RJ). O caso teria ocorrido mais cedo no plenário da Câmara Municipal.

“Hoje fui agredida com transfobia, racismo e quase fisicamente pelo vereador fascista Douglas Gomes, que segurado pelos meus companheiros de bancada para que não me encostasse. Foi horrível e doloroso!”, escreveu Benny em uma postagem em suas redes sociais.

Em nota enviada à Fórum, a equipe a vereadora, que é a primeira mulher trans a ser eleita para a casa legislativa de Niterói, afirma que a parlamentar protestava contra o fato de Gomes compor a Comissão de Direitos Humanos da Câmara, visto que ele, segundo parlamentares do campo progressista, já teria, em inúmeras situações, atentado contra os direitos humanos com gestos e declarações.

“Queria fazer uma denúncia de um crime que está sendo cometido, porque liberdade parlamentar não é legitimidade para cometer crime. Aqui nesta Casa o vereador trouxe uma arma de fogo,  fez um post afirmando que é contra a vacinação contra Covid-19, tem um chefe de gabinete que atirou um rojão em minha companheira Walkíria Nitcheroy. Além de defender nitidamente em suas redes sociais o coronel Ustra”, dizia Benny antes do vereador bolsonarista começar com os supostos ataques.

Segundo a vereadora, Douglas Gomes foi ao microfone a chamou de “vagabundo, moleque, seu merda e mentiroso”, e ainda teria tentado agredi-la fisicamente. Colegas de bancada de Benny, então, teriam precisado intervir para impedir a agressão e a sessão foi encerrada.

“Chorei, senti medo, senti a dor de ser mulher negra e trans na política, mas não recuei. Companheiras me ajudem porque eu não posso andar só!”, desabafou Benny.

Pelas redes sociais, a deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) prestou solidariedade à correligionária.

“A vereadora @BennyBriolly foi agredida hoje por bolsonarista dentro da Câmara Municipal de Niterói. “Além de chamá-la pelo nome masculino, o vereador tentou agredi-la fisicamente. Ele precisa ser responsabilizado. TRANSFOBIA e VIOLÊNCIA contra MULHER são crimes. Força, irmã!”, escreveu Talíria.

Procurado pela Fórum, o vereador Douglas Gomes respondeu dizendo que a denúncia é “infundada”. “Diariamente, sou chamado de fascista, racista e genocida. Ontem, além dessas injúrias, fui chamado de moleque pelo vereador Bennio, bem como pelo vereador Túlio, ambos do PSOL. A bancada se irritou, pois eu apresentei uma Moção de repúdio, que foi aprovada, para o MTST, que cometeu um ato criminoso, fechando a RJ104, ateando fogo em pneus, impedindo o ir e vir das pessoas e, inclusive, pondo a vida das pessoas em risco. Em nenhum momento agredi nenhum vereador, inclusive, já conversei com diversos parlamentares que estavam presentes na sessão de ontem, que foi transmitida ao vivo pela casa. A denúncia é totalmente infundada e o nosso jurídico já está tomando as devidas providências referentes as calúnias publicadas pelo parlamentar e divulgadas por alguns veículos de imprensa”, disse.

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Ivan Longo

Jornalista e repórter especial da Revista Fórum.