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22 de outubro de 2013, 10h01

Leilão de Libra reposiciona Brasil na geopolítica mundial

País salta para a quinta posição no ranking dos países produtores, segundo a Opep, aliado não mais aos EUA, mas a um conjunto mais amplo de forças, entre elas a China

País salta para a quinta posição no ranking dos países produtores, segundo a Opep, aliado não mais aos EUA, mas a um conjunto mais amplo de forças, entre elas a China Por Correio do Brasil Leia também: Para petroleiros, leilão de Libra é “crime de lesa-pátria” Dilma faz pronunciamento professoral para explicar leilão da Libra Petroleiros dizem por que são contra o leilão de Libra Ao garantir a extração do petróleo contido no Campo de Libra, o Brasil salta para a quinta posição no ranking dos países produtores, segundo a Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep), aliado não mais...

País salta para a quinta posição no ranking dos países produtores, segundo a Opep, aliado não mais aos EUA, mas a um conjunto mais amplo de forças, entre elas a China

Por Correio do Brasil

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Ao garantir a extração do petróleo contido no Campo de Libra, o Brasil salta para a quinta posição no ranking dos países produtores, segundo a Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep), aliado não mais aos EUA, mas a um conjunto mais amplo de forças, entre elas a China. O ponteiro da balança pendeu, agora, para o prestígio ao grupo que conhecido como Brics que, além dos brasileiros, reúne os russos, indianos, chineses e sul-africanos. Da Rússia, o Brasil já comprou um sistema antiaéreo de primeira geração. Com a Índia, também fortalece relações; idem com a África do Sul.

Segundo fonte com trânsito no setor energético brasileiro, que falou ao Correio do Brasil em condição de anonimato, no início da noite desta segunda-feira, logo após encerrado o leilão do qual o país saiu com uma fatia de mais de 75%, “está definido o contorno final de um novo bloco econômico que, nos próximos meses, falará em um tom mais grave na formação de um novo Conselho de Segurança (CS) da ONU”.

Leilão de Libra ajuda a compor o cenário ideal para a formação de “um novo grupo de países, que precisa manter sua competitividade em nível mundial (Agência Petrobras)

– O assento definitivo do Brasil no CS ocorrerá, em grande parte, devido ao alinhamento dessas forças em campos produtivos, como o do petróleo e o da indústria, que têm peso específico na definição dos fatores de desenvolvimento e de independência econômica dos países – afirmou.

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Os Estados Unidos correm para se livrar da absoluta dependência em que se encontra desta commodity, com a produção de refinados a partir do xisto betuminoso, e busca desenvolver ao máximo este processo, que ainda passa por ajustes científicos. Mas a presença da China, no cenário mundial, contrapõe-se ao consumo dos norte-americano. Hoje, a China surge como a maior importadora de petróleo do mundo, já à frente dos EUA, o que amplia de forma decisiva os laços econômicos sino-brasileiros.

A importação norte-americana de petróleo, desde 2007, já declinou 22,37%, para 10,58 milhões de barris diários em 2012, segundo balanço da petrolífera British Petroleum (BP), que – também de forma estratégica, preferiu se ausentar do leilão de Libra. O uso de recursos não convencionais também derrubou o preço do gás praticado nos EUA e o derrubou frente aos preços do petróleo. O Henry Hub, preço praticado no mercado à vista da América do Norte, passou de US$ 8,86 por milhão de British Termal Unit (BTU, na sigla em inglês, e corresponde a 252,2 calorias, é medida usada internacionalmente) para US$ 2,7 por milhão de BTU entre 2008 e 2012. A queda foi da ordem de 69,5%, o que tem promovido um certo alívio para o parque industrial norte-americano.

Ilustração Petrobras

Trata-se do cenário ideal para a formação de “um novo grupo de países, que precisa manter sua competitividade em nível mundial”, afirmou a fonte. Os custos financeiros da operação justificam-se – e a escalada no preço das ações da Petrobras nas bolsas de valores, minutos após a batida do martelo mostra isso – mesmo precisando desembolsar mais por uma área que já pertencia à estatal do petróleo.

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– Com o leilão de Libra, embora o setor de inteligência do governo tenha sido extremamente conservador no deslocamento de tropas para a frente de um hotel, na Barra da Tijuca, o Brasil ganhou uma nova posição no cenário estratégico das relações internacionais. A presidenta Dilma Rousseff sai com a imagem levemente arranhada, por conta da truculência na convocação dos recrutas para espantar meia dúzia de manifestantes, em um dia de sol quente no Rio de Janeiro, mas os resultados que a operação produziu, em nível estratégico, tendem a deixá-la mais esbelta para as eleições em 2014 – concluiu.

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