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06 de junho de 2018, 22h34

Mais de um mês após desabamento de prédio no Paissandu, famílias seguem acampadas

Somente na última semana que a prefeitura de São Paulo instalou banheiros químicos para os sem-teto que, após o desabamento do edifício próximo ao Largo do Paissandu, passaram a viver na rua

O acampamento no Paissandu. Foto: Tchérena Monteiro
Por Tchérena Monteiro* Passado mais de um mês do incêndio e desabamento do edifício Wilton Paes de Almeida, ainda não há perspectiva de solução para as famílias que ocupavam o prédio ocioso no Largo do Paissandu, centro da capital paulista. 126 famílias que agora são sem-teto, segundo dados da própria Prefeitura, permanecem na praça em um acampamento improvisado. As famílias, muitas com crianças, passam o dia na praça em barracas doadas, em meio ao lixo e vendo gelado. A Promotoria de Justiça da Infância e da Juventude da Capital, no último dia 24, quis saber da Secretaria Municipal de Assistência...

Por Tchérena Monteiro*

Passado mais de um mês do incêndio e desabamento do edifício Wilton Paes de Almeida, ainda não há perspectiva de solução para as famílias que ocupavam o prédio ocioso no Largo do Paissandu, centro da capital paulista. 126 famílias que agora são sem-teto, segundo dados da própria Prefeitura, permanecem na praça em um acampamento improvisado.

As famílias, muitas com crianças, passam o dia na praça em barracas doadas, em meio ao lixo e vendo gelado. A Promotoria de Justiça da Infância e da Juventude da Capital, no último dia 24, quis saber da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social as ações tomadas pela pasta para atender as famílias com filhos de até 18 anos. E exigiu relatórios individualizados dos atendimentos e possíveis recusas a irem com os filhos para Centros Temporários de Atendimento (CTAs).

Adriana Santos, de 35 anos, possui seis filhos no local mas acredita na resistência. “Vamos ficar até ganhar moradia. Para as crianças tudo é diversão. Nós estamos preocupados só com roupas de agasalho para as crianças. E tem bebê recém-nascido. Nós estamos precisando de doações também para os bebês”, alerta a acampada, que não cogita a possibilidade de ficar longe dos filhos. “Se tirassem nossos filhos ia ser uma guerra maior. Se fosse para deixar meus filhos no abrigo, teria deixado no hospital, falava que não queria, né”, confessa Adriana.

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A Prefeitura diz já ter atendido maioria das vítimas do incêndio. Mas admite que existe um impasse – há famílias que recebem o auxílio e continuam na praça. Adriana não diz ser o caso dela. “Se nós estivéssemos ganhando nós não estaríamos aqui sofrendo com nossos filhos. Nós estamos esperando uma resposta”, desabafa.

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A garagista de motos Clégia, de 54 anos, trabalha em frente a praça há seis anos e diz que o incêndio e desabamento do edifício foi uma tragédia anunciada. “Eu já sabia que ia cair. Sempre que eu olhava pra lá ele estava inclinado, você pode ver que ele caiu em cima da igreja. Ele ia cair de qualquer jeito, o fogo foi uma desculpa”, conta. Ela acredita ainda que o prédio da frente também vai cair. “E outra, aquele ali também vai cair se eles não arrumarem. Aquele também vai. É que ele está cortado, já cortou em dois lugares”, se referindo ao Edifício Joamar na Rua Antônio de Godói, 20. Trata-se de um prédio abandonado exatamente em frente ao terreno do desabamento.

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Desde o desabamento a prefeitura, junto com a Defesa Civil, está fazendo vistoria nos prédios ocupados na cidade, o que não parece ser o caso do Edifício Joamar. O secretário de Habitação, Fernando Chucre, estima que até o final do mês todas as ocupações da região central passarão pela vistoria.

Na última sexta-feira (1), foram instalado oito banheiros químicos para os acampados. O prazo que a Justiça tinha dado terminou no dia 25, mas a Prefeitura alegou que greve dos caminhoneiros da última semana atrasou a instalação dentro do prazo.

*Tchérena Monteiro é estudante de jornalismo do curso “Repórter do Futuro”, da Oboré

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