MEIO AMBIENTE

OMS alerta que El Niño pode aumentar epidemias na América Latina

Relatório divulgado mostra que locais com emergência humanitária podem sofrer mais com os efeitos

América Central e norte da América do Sul são identificados como áreas de “alto risco”.Créditos: Reprodução/Getty Images
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Um alerta sobre as possíveis consequências do fenômeno climático El Niño na América Latina foi emitido pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O fenômeno costuma ser associado a altas temperaturas.

De acordo com um documento divulgado hoje pela organização, o El Niño pode aumentar a ameaça de doenças como zika e chikungunya e levar à intensificação da desnutrição em vários países da região. 

A América Central e o norte da América do Sul são identificados pelo último relatório da OMS como áreas de “alto risco” de enfrentamento de problemas de saúde ocasionados pelo fenômeno climático. Países como o norte do Peru, Colômbia, Venezuela, Suriname, Guiana, El Salvador, Honduras, Guatemala e Nicarágua podem enfrentar uma situação preocupante nesse sentido.

Segundo a OMS, a possibilidade de desnutrição pela redução das colheitas é outro fator preocupante. Produções de culturas como milho e leguminosas poderão ser muito impactadas com o aumento das secas já esperadas na região. Isso já levaria a um aumento dos preços dos alimentos, que já estão em níveis elevados.

Vale ressaltar que o aumento das temperaturas e o acúmulo de água nas residências devido à seca também podem contribuir para a multiplicação do mosquito Aedes aegypti, vetor de doenças como chikungunya, dengue e zika em países latino-americanos, citados pelo órgão de saúde.

O relatório aponta que lugares onde necessidades humanitárias já são urgentes, como Venezuela e Colômbia, a escassez de água pode exacerbar ainda mais as condições. 

Potenciais impactos humanitários e de saúde do El Niño em outras partes do mundo, particularmente na África Oriental, Sul da Ásia e Oceania também são enfatizados. Muito porque esse fenômeno climático afeta em níveis significativos as temperaturas no Pacífico Sul, que gera efeitos às vezes até o Oceano Índico.

O El Niño pode causar condições climáticas mais secas do que o normal em algumas regiões, enquanto outras podem experimentar um aumento na umidade. Por exemplo, a  América Central, o norte do Brasil, a Colômbia, a Venezuela e o norte do Peru podem enfrentar condições mais secas. Por outro lado, o extremo sul do Brasil, o Chile, o noroeste do Equador e do Peru, bem como o norte do México, Paraguai e Uruguai podem ter um clima mais úmido, de acordo com especialistas.

O documento da OMS mostra que o fenômeno El Niño geralmente dura cerca de um ano. Ele começa em abril e atinge seu pico entre os meses de novembro e fevereiro. Em alguns casos, porém, o El Niño pode durar mais do que esse período.

Conforme a maioria dos modelos meteorológicos, é previsto que o fenômeno persista pelo menos até o final deste ano. Nos últimos três anos já houve a predominância do fenômeno oposto, a La Niña, caracterizado por uma duração rara e resfriamento das temperaturas.

Não se excluem do relatório apresentado pela OMS outros riscos à saúde nas áreas investigadas, como elevação dos casos de cólera devido à escassez de água, assim como aumentos nos casos de malária e doenças evitáveis por vacinação, como a meningite.

*Com informações de Infobae