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Ibama detalha prejuízo bilionário imposto ao garimpo na Amazônia

De helicópteros milionários a antenas Starlink de Elon Musk, entre outros equipamentos; Veja números e entenda dinâmica da atividade criminosa

Maquinário destruído pela PF no ParáCréditos: Reprodução/PF
Escrito en MEIO AMBIENTE el

O Ibama revelou na última quinta-feira (28) os prejuízos impostos ao garimpo na Amazônia após a retomada em 2023 das operações que combatem a prática na região. As perdas chegaram a R$ 1,1 bilhão. Correspondem a helicópteros, dragas, escavadeiras, balsas, aviões, antenas Starlink fabricadas por Elon Musk, entre outros equipamentos utilizados pelos criminosos, destruídos ou apreendidos pelo Ibama e pela Polícia Federal.

Os dados foram publicados em extensa reportagem no site Repórter Brasil. De acordo com a apuração, do total estipulado pelo Ibama, R$ 82 milhões se referem a veículos de transporte aéreo, fluvial e terrestre, além de itens para a construção de acampamentos, destruídos em lugares remotos.

“Há frotas de equipamentos de transporte aéreo ou fluvial, motores hidráulicos, geradores de energia e toda uma infraestrutura associada que forma o contexto de planta industrial ou produtiva de valor considerável”, declarou Jair Schmitt, diretor de Proteção Ambiental do Ibama, à matéria da RB.

A chamada “planta industrial” do garimpo consiste em algumas instalações. O próprio garimpo, ou seja, o local delimitado nas bacias dos rios, onde é feita a atividade extrativista. Esses locais, quando vistos de cima, de um helicóptero por exemplo, são facilmente identificáveis pelo contraste que apresentam em relação aos trechos de mata preservada.

Geralmente localizados em áreas remotas, sobretudo em terras indígenas, os garimpos ainda precisam de uma infraestrutura de transportes - portos, estradas ou pistas de pouso – e de uma vila equipada com casas, supermercado, igrejas, bares e até mesmo casas de prostituição.

De acordo com Pedro Walfir, coordenador de pesquisas em mineração do MapBiomas, não é o trabalho direto dos garimpeiros, que se encontram nos locais de garimpo, o que abastece financeiramente toda essa estrutura. Pelo contrário, são os próprios compradores do ouro garimpado os patrocinadores, muitos deles envolvidos com grandes negócios dentro e fora do Brasil. Em julho de 2022, uma outra investigação da Repórter Brasil apontou que as principais Big Techs do planeta – Apple, Microsoft, Google e Amazon - já usaram o ouro garimpado em terras indígenas.

“Quem tem milhões para investir em uma atividade como essa, que é rentável mesmo sendo descoberta, destruída e queimada, e que no ano seguinte está de volta funcionando?,” afirmou.

Números da retomada das operações

  • R$ 1,02 bilhão em apreensões;
  • R$ 82 milhões em material e veículos destruídos;
  • 105 escavadeiras apreendidas ou destruídas avaliadas em R$ 900 mil cada;
  • 262 balsas apreendidas ou destruídas cujo valor estimado pelo preço médio de mercado atinge os R$ 2,8 milhões;
  • 29 aviões avaliados em R$ 1 milhão;
  • 2 helicópteros que juntos valem mais de R$ 5 milhões;
  • 1 helicóptero Sikorsky S-76 avaliado em R$ 10 milhões;
  • 30 antenas Starlink, fabricadas pelo bilionário Elon Musk.
  • Os dados são das 7 principais operações antigarimpo em 2023 nas terras indígenas do Vale do Javari (AM), Yanomami (RR), rio Madeira e Tapajós: Cayaripellos, Xapiri, Harpia, Ferro e Fogo III, Joker III, Acupary e Inopinus Flora.