Deputados do PSOL entram com ação para anular exoneração do superintendente da PF no Amazonas

Vivi Reis, David Miranda, Fernanda Melchionna e Sâmia Bomfim afirmam que troca de comando tem objetivo de enfraquecer a fiscalização na região

Deputados da bancada federal do PSOL, Vivi Reis (PA), David Miranda (RJ), Fernanda Melchionna (RS) e Sâmia Bomfim (SP) ingressaram com uma ação popular na Justiça Federal do Amazonas. O objetivo é solicitar que seja suspensa e declarada nula a portaria que exonerou o superintendente da Polícia Federal (PF) no estado, Alexandre Saraiva.

A demissão foi articulada pelo diretor-geral da PF, Paulo Maiurino, recém-nomeado por Jair Bolsonaro.

Segundo Vivi Reis, uma das autoras da ação, a troca no comando da PF amazonense “está sendo feita unicamente com o objetivo de permitir a liberação de ações de empresários que exploram madeira ilegal na Amazônia e que vêm sendo alvo de Operações da PF, tudo sob pressão do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. O objetivo da troca é unicamente enfraquecer a fiscalização”, afirma.

“Ricardo Salles tem cometido um crime atrás do outro e estamos denunciando exaustivamente. Já enviamos notificação a órgãos internacionais, na Comissão do Meio Ambiente da Câmara e diversos pedidos para que o Ministério Público Federal investigue o ministro”, destaca Fernanda Melchionna.

“A demissão do superintendente da PF no Amazonas é um dos movimentos mais evidentes de perseguição que Bolsonaro faz a quem não aceita os crimes que são cometidos a olhos vistos. Não pode passar sem responsabilização”, acrescenta a parlamentar.

Saraiva foi destituído no começo de abril, exatamente um dia depois de ter pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) que investigasse o ministro do Meio Ambiente.

Na notícia-crime apresentada, o então superintendente justificou que as ações de Salles poderiam dificultar a ação fiscalizadora dos agentes públicos no trato de questões ambientais.

A operação

Em dezembro de 2020, a PF, em conjunto com o Ministério Público Federal, realizou a Operação Handroanthus GLO, que resultou na maior apreensão de madeira da história do Brasil, na divisa dos estados do Pará e Amazonas. Na operação foram apreendidos mais de 200 mil metros cúbicos de madeira, que estavam em situação irregular.

Depois da apreensão, Salles esteve duas vezes na região onde ocorreu a ação policial. Porém, ao invés de apoiar os trabalhos realizados pela PF, o ministro criticou publicamente a operação. 

Durante as visitas, o ministro ainda se encontrou com diversos empresários, alvos da Operação Handroanthus GLO. Na notícia-crime apresentada ao STF, o delegado acusa Salles, o presidente do Ibama, Eduardo Bim, e o senador Telmário Mota (PROS-RR), de integrarem organização criminosa e de exercerem advocacia administrativa, atuando na defesa de empresários acusados de extraírem madeira ilegalmente.

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Lucas Vasques

Jornalista e redator da Revista Fórum.