Em menos de 2 meses, quase 90 baleias foram mortas no litoral brasileiro

Levantamento é do Partido Verde, que entrou com requerimento de informações para saber o que o Ministério do Meio Ambiente vem fazendo com relação ao problema

Em meio ao desmonte que o governo Bolsonaro promove na área do meio ambiente, as mortes de baleias jubartes vêm atingindo números assustadores no Brasil. Segundo balanço do Projeto Baleia Jubarte, o mês de junho deste ano foi marcado pelo encalhe de 32 baleias, o dobro de todos os casos somados registrados entre janeiro e maio (16 encalhes).

Um levantamento feito pela assessoria técnica do Partido Verde, no entanto, revela dados ainda mais alarmantes: em 2020, durante um período de menos de 50 dias, 87 baleias jubartes morreram em ao menos 8 estados da costa brasileira.

Os estados onde mais ocorrências foram registradas são Santa Catarina, com 30 mortes de baleias no período, e São Paulo, com 21 registros. Foram 8 mortes deste mamífero marinho no Rio Grande do Sul, 5 no Paraná, 11 no Rio de Janeiro, 5 no Espírito Santo, 6 na Bahia e 1 em Sergipe.

As mortes são provocadas, principalmente, pelo encalhe e redes de pesca. Há outras hipóteses, no entanto, para o fenômeno, como a diminuição da disponibilidade, em função do aquecimento global, de pequenos peixes e de Krill (pequeno crustáceo, similar ao camarão, habitante do oceano austral, cuja biomassa alcança 380 milhões de toneladas, tendo papel chave na cadeia de vida marinha).

Diante da revelação desses números, os deputados Célio Studart (PV-CE) e Israel Batista (PV-DF) protocolaram, esta semana, um requerimento de informações junto ao Ministério do Meio Ambiente em que questionam que medidas estão sendo adotadas pela pasta para evitar as mortes de baleias no Brasil.

No requerimento, Studart relembrou o vazamento de óleo que atingiu inúmeras praias brasileiras em 2019. “Não tivemos uma elucidação deste lamentável episódio e, agora, estamos tendo mortes de animais extremamente importantes para a manutenção da vida nos mares. É urgente que a gente tenha políticas claras de preservação dos oceanos, bem como punição para quem pratica pesca ilegal”, afirma.

O documento encaminhado ao Ministério do Meio Ambiente contém questionamentos sobre “projetos, planos, ações e providências que foram efetivadas pelo para monitorar, prevenir e fiscalizar o presente tema”, além de solicitação de divulgação de dados sobre quantidade de multas por pesca ilegal aplicadas entre 2018 e 2021, valores arbitrados e arrecadados e utilização dos recursos para preservação e educação ambiental.

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Ivan Longo

Jornalista, editor de Política, desde 2014 na revista Fórum. Formado pela Faculdade Cásper Líbero (SP). Twitter @ivanlongo_