O Ministro para Mudança Climática e Energia da Austrália, Chris Bowen, anunciou, no começo de novembro, um novo programa governamental que promete entregar três horas diárias de energia gratuita para a população australiana.
Intitulado "Solar Share", o esquema, que deve começar a valer para residências dos estados de Nova Gales do Sul, Austrália Meridional e o sudeste de Queensland a partir de 2026, vai permitir que a população — mesmo quem não possui painéis solares instalados em casa — receba energia solar gratuita durante três horas por dia, desde que tenha um medidor inteligente de energia que permita deslocar o uso geral à janela de gratuidade oferecida pelo governo.
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Essa janela de energia gratuita se inicia por volta do meio-dia, quando a energia solar atinge o pico produtivo e os preços caem de forma considerável. A intenção do governo é reduzir a demanda energética ao longo da noite, transferindo o consumo da energia acumulada para o horário em que a geração é mais fácil (durante o pico da incidência de luz solar), a fim de melhorar a estabilidade e os custos da rede elétrica.
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A regulamentação da energia gratuita, disponível de meio-dia às 15h, vai servir para atividades domésticas diárias, como lavar roupas, carregar veículos elétricos e usar sistemas de ar-condicionado, melhorando o aproveitamento da energia.
A primeira fase do programa vai se iniciar em meados de 2026 para as localidades já contempladas oficialmente, de acordo com o veículo The Guardian, mas outras regiões do país podem ser incluídas futuramente.
Hoje, a Austrália tem mais de quatro milhões de residências com painéis solares instalados, e o governo australiano espera alcançar até 82% de toda a eletricidade proveniente de fontes renováveis até a próxima década. Estima-se que a medida signifique uma redução de 43% nas emissões de gases de efeito estufa.
O benefício do governo, além disso, pode vir acompanhado de ajustes tarifários em outros períodos do dia, mas a intenção é que a demanda energética seja realocada de forma inteligente e reduza os custos para o consumidor final.
Segundo o ministro australiano Chris Bowen, “as pessoas que conseguirem transferir seu consumo de eletricidade para o período de oferta gratuita de energia vão se beneficiar de forma direta, independentemente de terem painéis solares ou não”.
Quanto maior a alocação, mais benefícios para o sistema, o que resulta em “custos mais baixos para todos os consumidores de eletricidade”.
Até junho deste ano, cerca de 4,16 milhões de instalações de painéis fotovoltaicos na Austrália ofereciam uma capacidade energética combinada de 41,8 GW. No Brasil, o número fica em torno de 42,05 GW em geração distribuída em telhados e propriedades. A energia solar é a segunda maior fonte da matriz elétrica brasileira (corresponde a cerca de 23% da capacidade total).
Críticos da medida do governo da Austrália, principalmente representantes e executivos da indústria energética, evidenciam que pode haver prejuízos para os distribuidores, traduzidos em uma pequena queda nos lucros. A autoridade regulatória do setor energético australiano deve supervisionar as mudanças e ajustar as taxas nos períodos de energia não gratuita, segundo o governo.