Em novembro de 2025, o Ministério de Minas e Energia do Brasil abriu a consulta pública para o primeiro leilão de contratação de reserva de capacidade energética, voltado aos sistemas de armazenamento em baterias, que está previsto para ser realizado em abril de 2026.
A ideia é integrar, por meio de investimentos privados, soluções de armazenamento à rede elétrica, a fim de aumentar a segurança do Sistema Interligado Nacional (SIN) do setor elétrico.
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No processo, o governo, por meio do Ministério de Minas e Energia e da ANEEL, abre uma disputa entre empresas privadas para o oferecimento de serviços de armazenamento de energia elétrica em baterias de grande capacidade, os sistemas de armazenamento em larga escala (BESS, na sigla em inglês).
De acordo com as informações preliminares do leilão, o contrato firmado com a companhia deve ter de 10 a 20 anos de duração, com início das atividades de suprimento energético em agosto de 2028.
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A contratação será feita em reserva de capacidade energética via baterias, o que ajuda a reduzir os riscos de racionamento e cortes, além de flexibilizar o mercado de serviços. O foco é liberar energia sob demanda.
O governo busca atrair sobretudo investimentos chineses, como os da Huawei Digital Power e da BYD. O ministro da pasta, Alexandre Silveira, participou, em novembro, de reuniões com companhias chinesas do setor, durante a missão oficial do governo à Ásia.
A contratação de fornecedores por meio do leilão de baterias é um passo “rumo a uma matriz mais limpa, segura e inovadora”, de acordo com Silveira.
Outras empresas sob a mira do governo são a CATL, Envision, Sungrow, HyperStrong e Hithium Energy Storage.
O modelo regulatório será o LRCAP (Leilão de Reserva de Capacidade), com dois leilões a ser realizados em março de 2026 — um deles para a contratação de usinas termelétricas a gás natural, carvão mineral e hidrelétricas, e o segundo destinado a usinas termelétricas a óleo combustível e biodiesel.
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As baterias são capazes de armazenar energia eólica e solar nos períodos de excesso e devolvem a capacidade de distribuição nos períodos de maior escassez, além de evitar o acionamento de usinas a diesel ou a gás em horários de pico de demanda.
Atualmente, o Brasil ocupa o quinto lugar mundial em capacidade de energia eólica onshore instalada, de acordo com o relatório Global Wind Report 2025, produzido pelo Global Wind Energy Council (GWEC), com capacidade total de cerca de 33 GW, correspondente a até 13,5% da matriz energética nacional.
Já a energia solar, de que o Brasil também se consolida como um dos maiores produtores mundiais, representa cerca de 23,5% da capacidade total instalada do país, e é a segunda maior fonte energética nacional (atrás apenas da energia hidrelétrica).
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O leilão deve contratar cerca de 2 GW de sistemas de armazenamento, com potencial para cerca de R$ 10 bilhões em investimentos. Estimativas mais amplas sugerem que o mercado brasileiro de armazenamento pode alcançar R$ 40 bilhões até 2030.
A fase de consulta pública acerca do leilão previsto para 2026 deve definir, agora, os critérios técnicos e ambientais que devem ser atendidos pelas empresas interessadas, além das localizações prioritárias e do modelo de remuneração.