O Governo Lula lançou nesta terça-feira (11), durante a COP30, o primeiro edital do ProFloresta+, um programa que une o BNDES e a Petrobras na compra de créditos de carbono gerados a partir de projetos de restauração ecológica na Amazônia. A iniciativa prevê a contratação de 5 milhões de créditos de carbono de alta integridade, com potencial de movimentar mais de R$ 450 milhões em investimentos.
Recuperação ambiental e economia verde
Serão selecionados cinco projetos, cada um com meta de restaurar pelo menos 3 mil hectares de floresta em áreas privadas ou públicas sob concessão. Os contratos terão duração de 25 anos, e cada projeto deverá gerar 1 milhão de créditos de carbono ao longo do período.
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Segundo a diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, o objetivo é transformar o setor florestal em um motor da economia verde.
“O ProFloresta+, em parceria com a Petrobras, vai fortalecer o mercado de carbono de alta integridade e gerar benefícios concretos para as pessoas e para o planeta”, afirmou.
A Petrobras, por meio de sua diretora de Sustentabilidade e Transição Energética, Angélica Laureano, destacou que esta é a primeira operação de compra de créditos de carbono de restauração ecológica da estatal.
“Esperamos que sirva de referência de preço e de requisitos técnicos para novos projetos de reflorestamento no país”, disse Laureano.
Financiamento e condições especiais
Os vencedores do edital terão acesso a linhas de crédito do BNDES, como o Fundo Clima, com juros de apenas 1% ao ano e prazos que podem chegar a 25 anos, para garantir a viabilidade dos projetos.
A entrega dos primeiros créditos de carbono deverá ocorrer em até sete anos após a assinatura do contrato, com novas entregas a cada cinco anos até completar o prazo total.
Participação e prazos
As empresas interessadas têm 30 dias para apresentar suas propostas. Poderão participar consórcios de até quatro companhias, e cada grupo poderá vencer até três contratos, totalizando 3 milhões de créditos. Vencerão os projetos que apresentarem maior eficiência técnica e menor preço por crédito de carbono.
Um novo marco para o clima
Lançado oficialmente em março deste ano, o ProFloresta+ tem como meta restaurar 50 mil hectares de áreas degradadas na Amazônia e gerar 15 milhões de créditos de carbono. O programa é considerado um dos maiores esforços já feitos no país para unir reflorestamento, combate às mudanças climáticas e desenvolvimento econômico sustentável.
O que é mercado de carbono
O mercado de carbono é um sistema criado para reduzir a emissão de gases do efeito estufa (como o dióxido de carbono — o CO2) e incentivar práticas sustentáveis. Ele funciona como uma espécie de “feira de trocas”, onde empresas, governos e organizações podem comprar e vender créditos de carbono.
O que é um crédito de carbono?
Um crédito de carbono equivale a uma tonelada de CO2 que deixou de ser emitida na atmosfera — ou que foi retirada dela, por meio de ações como:
- plantio de florestas (que absorvem CO2 do ar);
- energia limpa (como solar, eólica e biomassa);
- projetos de reciclagem e eficiência energética;
- preservação de áreas naturais.
Esses projetos recebem uma certificação que comprova o quanto de carbono deixaram de liberar (ou capturaram) e, assim, podem vender esses créditos para outras empresas.
Como funciona a troca?
Empresas que emitem mais gases poluentes do que o permitido por lei ou por seus compromissos ambientais precisam compensar essas emissões.
Elas fazem isso comprando créditos de carbono de quem polui menos ou ajuda o meio ambiente — por exemplo, de um projeto que restaurou uma área da Amazônia.
Assim, o sistema cria um incentivo financeiro para reduzir a poluição: quem polui menos pode ganhar dinheiro, e quem polui mais precisa pagar para compensar.
Tipos de mercado de carbono
Existem dois tipos principais:
- Mercado regulado — criado por governos, com regras obrigatórias (como na União Europeia).
- Mercado voluntário — onde empresas e pessoas compram créditos por iniciativa própria, para compensar suas emissões e mostrar compromisso com o meio ambiente.
Por que é importante?
O mercado de carbono ajuda a:
- financiar projetos ambientais;
- estimular o reflorestamento;
- reduzir as emissões globais de gases de efeito estufa;
- promover uma economia mais verde e sustentável.
É uma forma de transformar a redução da poluição em valor econômico, premiando quem ajuda o planeta — e cobrando de quem mais contribui para o aquecimento global.