Gigante da água doce, espécie nativa da Amazônia é uma das maiores do mundo e pode chegar a 400 kg

A espécie é nativa da bacia Amazônica e é uma das maiores do mundo, com importância histórica para comunidades tradicionais

Pirarucu (Arapaima gigas).Créditos: Pexels
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No imenso sistema fluvial da Amazônia, um colosso dos rios, o pirarucu (Arapaima gigas) impressiona por seu comprimento e peso elevados (que podem chegar a mais de quatro metros e meia tonelada) em relação às demais espécies de água doce, além de sua importância ecológica e cultural para as comunidades em torno das quais se desenvolve.

O nome “pirarucu” vem da união de dois termos em tupi: pirá, que significa “peixe”, e uruku, “tinta vermelha” (do urucum). Chamado de pirá-uruku, seu nome significa, portanto, “peixe da tinta vermelha”.

A espécie é nativa da bacia Amazônica, mas também ocorre em países como Peru, Guiana e partes da Colômbia e Equador. No Brasil, habita principalmente lagos, lagoas de várzea e rios de águas mais calmas (com menos correnteza), além de águas de várzea inundadas sazonalmente.

Pirarucu (Arapaima gigas)
Créditos: Pexels

O pirarucu figura entre os maiores peixes de água doce do mundo. Segundo a enciclopédia Encyclopaedia Britannica, essa espécie pode atingir quase 3 metros de comprimento e pesar até cerca de 220 kg. O maior pirarucu já registrado, de acordo com a National Geographic, teve comprimento estimado de 4,5 metros, com quase 500 kg de peso.

Adaptado para o ambiente da várzea amazônica, o pirarucu também é obrigado a respirar ar atmosférico: sua bexiga natatória está modificada e funciona como um pulmão, o que exige que ele suba à superfície periodicamente para respirar. O corpo alongado, com cabeça relativamente pequena e nadadeiras recuadas, faz com que ele nade em águas mais tranquilas e esteja suscetível à caça.

As escamas do pirarucu, no entanto, são altamente resistentes, uma adaptação evolutiva para proteger-se dos predadores mais ameaçadores do habitat, como as piranhas. Sua alimentação é baseada em peixes menores, além de alguns crustáceos e outros animais aquáticos.

O pirarucu era — e continua sendo — fonte de proteína fundamental para populações ribeirinhas da Amazônia. Ele simboliza, também, uma ponte entre o meio natural e as tradições indígenas amazônicas.

Na história tradicional da tribo dos Uaiás, um povo indígena que habitava a margem direita do rio Içá (no território em que hoje está localizado o Amazonas), sua origem remonta a um guerreiro chamado Pirarucu que, após desrespeitar os deuses, foi transformado em peixe gigante.

Pirarucu (Arapaima gigas)
Créditos: Unsplash

A espécie está listada no apêndice II da CITES (a Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies da Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas) desde 1975. O manejo sustentável em criatórios regularizados, entretanto, tem aos poucos revertido a ameaça de extinção: entre 2012 e 2016, estima-se que a população de pirarucus em áreas manejadas tenha crescido 99%, segundo dados do Coletivo do Pirarucu, o que mostra a eficácia das práticas de conservação baseadas no conhecimento tradicional das populações locais.

"O modelo de manejo de pirarucu começou a ser elaborado após a década de 1970, quando o declínio de atividades econômicas importantes fizeram com que a pesca da espécie virasse um meio de retorno financeiro rápido, ameaçando sua sobrevivência em razão da captura desenfreada", conta, em artigo, o Coletivo.

"Após algumas medidas de proteção da espécie terem sido implementadas sem obtenção de resultados significativos, a pesca do pirarucu chegou a ser proibida. Foi então que, em 1999, a primeira iniciativa de manejo de base comunitária foi implementada pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, inicialmente na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá, no Amazonas". 

Em regiões como a do rio Tocantins e da Bacia Amazônica, a pesca excessiva do pirarucu reduziu de maneira drástica sua presença ao longo da última década, e a espécie também sofre com as ocorrências de seca durante seu ciclo de vida.

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