O destino do gibão de Hainan, o primata mais raro existente, há décadas parece definido pela destruição de seu habitat. Restrito a um pequeno trecho de floresta na ilha chinesa de Hainan e reduzido a cerca de 30 indivíduos, o animal se tornou um símbolo da perda acelerada de biodiversidade na Ásia. Como vive exclusivamente no alto das árvores e nunca foi visto se deslocando pelo chão, qualquer interrupção nas copas, causada por desmatamento, erosão ou deslizamentos, ameaça diretamente sua sobrevivência.
Diante desse cenário crítico, uma equipe da Kadoorie Farm & Botanic Garden, em Hong Kong, instalou pontes de corda a quase dez metros de altura para religar áreas que ficaram isoladas. A ideia parecia arriscada, já que os gibões são extremamente seletivos em seus movimentos. Mas, após meses de observação, câmeras registraram os animais usando as pontes para atravessar trechos destruídos, algo nunca visto antes.
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De acordo com os pesquisadores, o comportamento confirma que intervenções temporárias podem ajudar a espécie a ganhar tempo enquanto trabalhos de restauração florestal não avançam.
A aceitação da estrutura levou cerca de seis meses, reflexo da forte dependência dos animais da arborização intacta. Ainda assim, a travessia representa um passo importante em meio aos esforços de conservação. O caso do gibão de Hainan escancara os impactos da ação humana sobre ecossistemas inteiros, mas também mostra que iniciativas científicas podem abrir brechas para impedir a extinção de espécies criticamente ameaçadas.