Chamado por Euclides da Cunha de "árvore sagrada do sertão", o umbuzeiro (Spondias tuberosa), típico do bioma da Caatinga, é adaptado para resistir ao clima árido e desértico do nordeste brasileiro.
A árvore, que pode atingir até sete metros de altura e é capaz de armazenar água nas raízes durante os longos períodos de seca do sertão, dá flores brancas e perfumadas que auxiliam na produção de mel pelas abelhas e, na época de frutificação, produz o umbu, seu pequeno fruto arredondado, de casca lisa (ou levemente aveludada) e coloração verde-amarelada.
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Créditos: Wikipedia
O fruto tem um sabor doce, com um traço levemente azedo no fundo, e é composto majoritariamente por água. Apesar disso, tem alto valor nutricional: rico em vitaminas C e A, ferro e fósforo, a polpa do umbu contém, em até 100 gramas, apenas cerca de 44 kcal, das quais 0,6 g são proteínas, 20 mg de cálcio, 14 mg de fósforo, 2 mg de ferro, 30 mg de vitamina A e 33 mg de vitamina C.
Ele também contém fibras alimentares que auxiliam na digestão e no controle glicêmico, além de compostos antioxidantes que ajudam a neutralizar radicais livres e contribuem para a saúde do sistema imunológico.
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O umbu previne doenças crônicas, como obesidade, diabetes e hipertensão, e sobrevive à desertificação de seu habitat difícil, o semiárido brasileiro.
O fruto maduro tem vida útil de apenas dois a três dias, mas não só ele é aproveitado: as raízes tuberosas, que têm um sabor adocicado, são coletadas para serem usadas na culinária regional, e têm alta eficácia contra o escorbuto (doença causada pela deficiência grave e prolongada de vitamina C no organismo), devido à alta quantidade de ácido ascórbico (vitamina C).
Umbu é um termo tupi, mas a S. tuberosa recebe nomes diferentes a depender do estado: imbu no Alagoas, umbu na Bahia, ambu ou embu no Ceará.
Os povos indígenas da região nordestina foram os primeiros a reconhecer seu potencial nutritivo e medicinal, e a medicina tradicional dos pernambucanos, especialmente entre os Fulni-Ô, grupo de povos originários que habita a região em torno do rio Ipanema, no Pernambuco, continua a se beneficiar do fruto, que também vira ingrediente local para sorvetes, geleias e doces.