COMPORTAMENTO ANIMAL

Dar lambeijos, inclinar a cabeça: 9 hábitos caninos que dizem mais do que parece

Entenda o que realmente significam alguns dos comportamentos mais comuns dos cães e saiba quando a fofura pode ser, na verdade, um pedido de ajuda.

Da cabeça inclinada ao “lambeijo”: o que seu cão tenta te dizer sem palavras..Créditos: Pexels/Helena Lopes
Escrito en MEIO AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE el

Os cachorros têm uma linguagem própria, rica, complexa e, muitas vezes, mal interpretada pelos humanos. O que para nós parece apenas fofura, manha ou esquisitice pode, na verdade, ser uma forma sofisticada de comunicação emocional, social e até física. Muitos tutores se confundem com hábitos comuns, sem saber se aquilo é normal, sinal de carinho ou até um pedido de ajuda.

A seguir, você entende o que realmente significam alguns dos comportamentos caninos mais frequentes, e o que eles tentam nos dizer com cada gesto.

1. Inclinar a cabeça

A inclinadinha de cabeça, que derrete qualquer tutor, é um comportamento mais complexo do que parece. Quando o cão gira a cabeça para o lado, ele está ajustando a posição das orelhas para captar melhor tonalidades específicas da voz humana. Eles também podem estar buscando um ângulo melhor para enxergar, já que o focinho pode limitar parte do campo de visão.

Pesquisas sugerem ainda que esse gesto está relacionado à empatia e concentração: muitos cães inclinam a cabeça quando tentam decifrar emoções humanas ou entender comandos novos. No entanto, se a cabeça permanecer inclinada de forma constante e involuntária, isso pode indicar infecção de ouvido, problema neurológico ou labiríntico, exigindo atenção veterinária imediata.

2. Perseguir o próprio rabo

Perseguir o rabo pode ser pura brincadeira,  especialmente em filhotes que ainda descobrem o próprio corpo. A atividade também funciona como uma descarga de energia acumulada. Em cães adultos, no entanto, a repetição exagerada pode indicar tédio, ansiedade, estresse ou até um transtorno compulsivo. Em alguns casos, pode ter origem física, como alergias, pulgas ou problemas nas glândulas anais. Quando o comportamento se torna insistente ou acompanhado de mordidas que causam ferimentos, vale conversar com um veterinário ou comportamentalista.

3. Latidos e uivos

Latidos são a principal forma de comunicação vocal dos cães, e cada tipo tem um significado específico. Latidos curtos e rápidos podem indicar excitação; graves e espaçados, alerta ou incômodo. Alguns cães vocalizam para chamar atenção, expressar frustração ou tentar “dialogar” com estímulos externos. O uivo é um comportamento ancestral, herdado dos lobos. Ele serve para comunicar distância, pedir companhia ou responder a sons que lembram outros uivos, como sirenes ou instrumentos musicais.
Latidos ou uivos excessivos, principalmente quando o cão está sozinho, podem indicar ansiedade de separação ou falta de estímulos.

4. Arrastar o traseiro no chão

Eles fazem isso causa desconforto na região traseira. Na maioria das vezes, o problema está nas glândulas anais, duas pequenas bolsas que armazenam uma secreção com odor forte e que deveriam se esvaziar naturalmente. Quando isso não ocorre, a pressão causa coceira e irritação, e o cão tenta aliviar arrastando o bumbum no chão. O comportamento também pode ser provocado por alergias, parasitas ou dermatites. Se ocorre com frequência, é essencial consultar um veterinário para evitar inflamações e infecções.

5. Dar lambeijos

As lambidas, também chamadas carinhosamente de “lambeijos”, fazem parte da comunicação social dos cães. Eles lambem para demonstrar afeto, aliviar tensão, pedir atenção e até “ler” sinais emocionais dos humanos por meio dos cheiros químicos presentes na pele.

Mas esse comportamento, apesar de amoroso, exige cuidados. O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro (CRMV-RJ) alerta que a saliva dos cães pode transmitir algumas bactérias,  entre elas a Capnocytophaga, um microrganismo que faz parte da flora bucal dos animais sem causar adoecimento neles, mas que pode provocar infecções graves em humanos com imunidade comprometida. A contaminação pode ocorrer tanto por mordidas quanto por lambidas próximas a mucosas ou feridas.

O CRMV-RJ reforça que eventos graves são raros, mas recomenda cuidados simples: evitar lambidas em olhos, boca e nariz; não permitir que o cão lamba feridas abertas; lavar a área com água e sabão se isso ocorrer; higienizar as mãos após brincar com o pet; manter o calendário de vacinação e vermifugação em dia; e realizar consultas veterinárias periódicas.

6. Cheirar o traseiro de outros cães

Cheirar o traseiro é um ritual social natural e altamente informativo para os cães. As glândulas anais produzem feromônios únicos que revelam sexo, estado reprodutivo, saúde, dieta e até traços emocionais de cada indivíduo. Esse comportamento ajuda a evitar conflitos, ao reconhecer o cheiro do outro, o cão “lê” se ele é dominante, submisso, ansioso ou amigável. É um aperto de mão canino altamente eficiente. O ritual só deve ser interrompido se um dos cães demonstrar desconforto.

7. Cavar

Cavar é um instinto ligado à sobrevivência: cães selvagens fazem buracos para buscar abrigo, esconder comida ou encontrar temperaturas mais agradáveis. No ambiente doméstico, eles reproduzem esse comportamento por tédio, ansiedade ou pura diversão. Alguns cães cavam a cama ou o sofá antes de se deitarem, um comportamento herdado dos ancestrais que preparavam o “ninho”. Já cavar o quintal pode indicar excesso de energia ou falta de estímulos. O ideal é oferecer mais interação, enriquecimento ambiental e supervisão, evitando que o hábito vire destrutivo.

8. Apoiar-se nas pessoas

Encostar o corpo nas pernas, pés ou lado do tutor é uma forma de contato social que reforça vínculo, segurança e proteção. Para muitos cães, esse gesto funciona como um abraço silencioso. Pesquisas mostram que o toque constante entre cão e tutor pode reduzir cortisol e aumentar a sensação de bem-estar de ambos. Em alguns casos, apoiar-se pode indicar insegurança ou busca de conforto diante de estímulos estressantes. Em outros, é simplesmente afeto puro,  uma tentativa de ficar mais próximo de quem eles consideram família.

9. Ofegar

O ofegar é o principal mecanismo de resfriamento dos cães, que praticamente não transpiram. Em situações de calor, exercício ou excitação, é natural que o ritmo respiratório aumente. Mas o contexto importa: se o cão ofega em ambientes frescos, durante o repouso ou acompanhado de inquietação, pode estar indicando dor, febre, ansiedade, sobrepeso ou problemas cardíacos e respiratórios. Sendo assim, o ideal é procurar um veterinário. 

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