O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) celebrou a condenação da empresa BHP Billiton, na Justiça inglesa, pelo rompimento da barragem do Fundão, em Mariana (MG), que causou, em 2015, a morte de 19 pessoas, provocou um aborto forçado pela lama e poluiu, pelo menos, 800 km de cursos d'gua. O movimento considerou como uma "vitória histórica" a condenação.
O crime ambiental foi considerado o maior desastre socioambiental já registrado no Brasil e as vítimas esperaram mais de dez anos por Justiça. Até hoje, os efeitos físicos da lama tóxico e psicológicos pelas perdas são sentidos pelo atingidos.
Te podría interesar
"Essa decisão reafirma as denúncias feitas pelo movimento nos últimos 10 anos, sobretudo, sobre a atuação da justiça brasileira que ainda não foi capaz de responsabilizar a Vale, alegando falta de provas", afirmou o movimento.
O MAB ainda acrescentou que segue na luta por justiça no Brasil para que a Vale, também acionista da Samarco junto com a BHP, seja condenada para que novos crimes como Mariana e Brumadinho não se repitam.
Te podría interesar
Caso inédito
A condenação histórica é o primeiro caso em que uma corte estrangeira reconhece a responsabilidade direta de uma multinacional por danos provocados fora de seu território de origem.
De acordo com documentos analisados pelo tribunal, a BHP interferiu em decisões estratégicas da Samarco, aumentando a produção sem assegurar condições mínimas de segurança. Auditorias internas e externas já alertavam para falhas graves, mas a operação foi mantida mesmo diante dos riscos identificados.