1,9 bilhão de anos: poucos sabem, mais o vulcão mais antigo do mundo está no Brasil

Descoberta científica ainda desconhecida do grande público foi feita nos anos 2000

Bacia do Rio AmazonasCréditos: NASA
Escrito en MEIO AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE el

Pesquisadores brasileiros identificaram no início dos anos 2000 uma formação vulcânica considerada a mais antiga já encontrada no planeta. O chamado Vulcão Amazonas, localizado na região de Uatumã, no Pará, possui cerca de 1,9 bilhão de anos e integra um conjunto de estruturas geológicas formadas durante um longo período de atividade vulcânica na Amazônia.

A área onde o vulcão está situado reúne morros que, segundo levantamentos divulgados pelo Portal da Amazônia, preservam vestígios de “dois dos mais antigos vulcões do mundo”. Estudos indicam que as formações alcançaram aproximadamente 400 metros de altura e chegaram a ter cerca de 22 quilômetros de diâmetro durante o período em que estiveram ativas.

Localização do Vulcão Amazonas

Pesquisas conduzidas por geólogos brasileiros mostram que a região amazônica foi marcada por intensa atividade vulcânica no período Paleoproterozóico, com erupções registradas ao longo de aproximadamente 300 milhões de anos. A movimentação de uma placa oceânica sob a porção continental teria sido responsável por desencadear o processo, segundo explica Caetano Juliani, do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP). Para o pesquisador, esse dinamismo geológico também influenciou a formação mineral da região.

Juliani afirma que as primeiras análises indicavam idades próximas a 1,88 bilhão de anos, mas descobertas posteriores revelaram estruturas ainda mais antigas. “Na época em que encontramos o primeiro, nós achávamos que todos tinham por volta de 1,88 bilhão de anos. Hoje já estamos vendo vulcões de até 2 bilhões de anos”, disse o geólogo ao portal UOL.

A dificuldade de acesso às áreas onde esses vestígios se encontram limita a quantidade de pesquisas, de acordo com Carlos Marcello Dias Fernandes, do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Pará (UFPA). “Por causa da dificuldade de acesso, pouca gente se interessa em fazer pesquisa como essa na região”, afirmou.

Em outro estudo, conduzido no Instituto de Geociências da Unicamp, rochas coletadas na Província Mineral de Alta Floresta, que abrange áreas do Mato Grosso e do Pará, foram analisadas por uma equipe liderada por André Kunifoshita. O grupo identificou indícios de uma antiga caldeira vulcânica e apontou três fases principais de vulcanismo: há 2 bilhões de anos, 1,88 bilhão de anos e 1,78 bilhão de anos. Segundo o pesquisador, “Como estamos trabalhando com rochas muito antigas, não temos todas as evidências dessa formação. Coletamos pistas para desvendar o que ocorreu no passado.”

As formações estudadas são consideradas extintas e não apresentam risco de atividade, segundo os pesquisadores envolvidos nos levantamentos.

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