Escolhida para sediar a Conferência das Nações Unidas para o Clima (COP30) em 2025, Belém, a capital do estado do Pará, vive uma onda de calor sem precedentes: de acordo com um levantamento da Universidade Federal do Pará divulgado pela CBB Brasil, a cidade teve 164 dias com máximas acima dos 35,5°C na última década, considerados de "calor extremo".
Outros monitoramentos apontam a capital como aquela mais afetada por máximas acima da média no país, o que reforça as dinâmicas de aumento de temperatura avistadas no bioma amazônico, cujos rios já apresentam médias maiores do que as máximas históricas.
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Em 2024, durante as secas que atingiram o Brasil, 23 lagos monitorados pelo MapBiomas, dos 60 que compõem a Bacia Amazônica, tinham temperaturas maiores do que as observadas em 2023, consideradas extremas, o que resultou na morte de botos amazônicos.
Análises de séries históricas do INMET mostram, além disso, uma tendência de aumento nas anomalias de temperatura e nos padrões de precipitação da região, com sinais de alterações no volume de chuvas. O ano de 2024 foi, de longe, o mais quente do Brasil, e as mudanças de temperatura são particularmente danosas para a Amazônia.
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Apesar disso, de acordo com dados da Secretaria de Meio Ambiente do Pará (SEMAS), com base no sistema Deter, do INPE, entre agosto de 2024 e julho de 2025 o Pará registrou o menor desmatamento da última década.
Na Amazônia Legal, os alertas de desmatamento cresceram 4% entre agosto do ano passado e julho de 2025, mas o desmatamento caiu 11,08% em relação ao ciclo anterior.
Nos últimos 60 anos, segundo análises espaciais do INPE, a temperatura em estados do Norte e do Nordeste do Brasil teve os maiores aumentos de médias registrados no país, que ficaram entre 2,5°C e 3°C.
No caso de Belém, nos últimos 50 anos (entre 1970 e 2023), o aumento na média de temperatura atingiu 1,9°C, segundo o portal Amazônia Vox.
A capital com as maiores temperaturas máximas absolutas no Brasil é Cuiabá, em que o recorde atingido foi de 44,2°C.
No Norte, o verão, entre 2024 e 2025, foi marcado por chuvas, mas também por calor intenso: "Mesmo sob a influência do La Niña, que tende a reduzir a temperatura média global, este verão ficou entre os dez mais quentes da série. Os dados apresentados mostram que as temperaturas no Brasil, durante o verão, têm ficado acima da média a partir da década de 1990", informa a Agência Gov.