Descoberta de cientistas brasileiros resolve mistério das borboletas amazônicas

Os pesquisadores classificaram borboletas segundo a composição de cor de suas asas, comparando as áreas de floresta intacta e as regiões afetadas pelo desmatamento; entenda

Borboleta colorida.Créditos: Unsplash
Escrito en MEIO AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE el

Uma pesquisa conduzida em parceria pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e pelo Centro para a Ecologia e Conservação da Universidade de Exeter (Reino Unido) analisou 60 espécies de borboletas em diferentes pontos da Amazônia com variados graus de perturbação humana a fim de resolver um mistério: a gradual perda de colorações vibrantes das borboletas amazônicas, que se tornam mais neutras e acinzentadas.

A área de estudo incluiu o Projeto de Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais, ligado ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), que disponibiliza diferentes tipos de habitat (fragmentos de floresta original, áreas desmatadas e contínuos preservados) para comparação, segundo a UFPel.

Os pesquisadores classificaram cada espécie segundo a composição de cor das asas, relacionando essa coloração com o tipo de habitat, comparando as áreas de floresta intacta e as regiões afetadas pelo desmatamento.

P. narcissus (macho), vista inferior
Créditos: Wikipedia

As conclusões mostraram que, nos locais que passaram por desmatamento recente, os espécimes de borboletas encontrados tendiam a apresentar coloração mais parda ou acinzentada, enquanto, nas florestas preservadas, variavam em uma rica paleta de cores, entre tons azuis, vermelhos, alaranjados ou transparentes.

Algumas das borboletas citadas no estudo são a “blue morpho” (Morpho menelaus), conhecida pelo intenso brilho azul metálico produzido por microestruturas das asas e por depender de áreas de floresta preservada; a Prepona narcissus, que apresenta asas escuras com faixas azuladas iridescentes e habita principalmente o dossel de florestas úmidas; a Cithaerias andromeda, famosa por suas asas quase transparentes com bordas rosadas ou azuladas e que vive próximo ao solo em áreas densas e sombreadas; e a Historis acheronta, cuja coloração marrom e alaranjada imita folhas secas, característica que favorece sua camuflagem no sub-bosque.

Morpho menelaus
Créditos: Wikipedia

O trabalho sugere, ainda, que as borboletas que sobrevivem em áreas desmatadas adaptam-se para uma coloração que se camufla mais facilmente às áreas destituídas de vegetação, com “tons semelhantes ao ambiente queimado”. Essa adaptação é fruto de uma seleção ecológica pela camuflagem em detrimento da diversidade de cores.

No entanto, um bom prospecto trazido pelo estudo se relaciona às áreas que passaram por regeneração florestal há cerca de 30 anos, que notaram um retorno de espécies com diversidade de cores semelhante à das florestas não perturbadas.

De acordo com Cristiano Agra, pesquisador da UFPel e coorientador do estudo, as descobertas podem servir como bons bioindicadores sensíveis para as mudanças ambientais, já que a variação de cores das borboletas responde rapidamente às transformações do habitat.

A perda de coloração tem implicações ecológicas mais profundas, traduzidas em alterações no equilíbrio dos ecossistemas naturais das regiões amazônicas.

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