Uma espécie rara de borboleta endêmica do Brasil, que ocorre na Mata Atlântica, em regiões de encostas de altitude (entre cerca de 1.000 e 1.500 metros de altura) do Rio de Janeiro, foi avistada pela primeira vez em outro estado — no território do Espírito Santo, em registro capturado pelo cientista Gustavo Rodrigues Magnago, em dezembro de 2022.
A espécie, Petrocerus catiena, parte da família Riodinidae, é rara porque tem distribuição naturalmente restrita e uma área de ocupação pequena no território brasileiro. Ela costuma aparecer entre bambuzais e florestas de altitude, onde estão seus micro-habitats, descontínuos e fragmentados.
Te podría interesar
Com asas levemente pontiagudas, antenas longas e padrões de cores escuras, típicas da família de que faz parte, a borboleta está listada como ameaçada e em perigo no Livro Vermelho da Fauna Brasileira, do ICMBio.
Créditos: Biodiversity4all
O avistamento ocorreu na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), em Castelo (ES), como parte do projeto de Ciência Cidadã “Borboletas Capixabas”, promovido pelo Instituto Nacional da Mata Atlântica, que busca registros de borboletas ameaçadas de extinção no Brasil.
Te podría interesar
A espécie identificada, a primeira fora do estado do Rio de Janeiro e no Espírito Santo, era uma fêmea. O registro aumentou a área estimada para a ocorrência da espécie de 252 km², correspondente ao território fluminense, para 5.963 km², e sua área de ocupação passou de 10 km² para 16 km².
Desde 2023, registros documentaram 19 espécimes de Petrocerus catiena em coleções públicas e privadas. Não existe, até o momento, uma informação exata de quantos indivíduos possam existir no Brasil.
Por viver em florestas nubladas e fragmentos muito específicos de flora, a presença da espécie funciona como um bioindicador natural de integridade do habitat e baixa perturbação humana, além de indicar a continuidade de microclimas frios e úmidos preservados.
Segundo o ICMBio, o Brasil tem mais de 3.400 espécies de borboletas conhecidas, com alta diversidade taxonômica. Vários dos gêneros identificados de borboletas neotropicais são restritos a regiões específicas de biomas brasileiros, como a Mata Atlântica e o Cerrado.
A família Riodinidae, à qual pertence a espécie avistada no Espírito Santo, possui cerca de 143 gêneros neotropicais.
De acordo com o guia Butterfly Catalogs, Petrocerus catiena é a única espécie descrita formalmente como parte do gênero Petrocerus, encontrada especialmente na Serra do Mar, sistema montanhoso pertencente ao Maciço Atlântico que se estende ao longo da costa brasileira, do Espírito Santo a Santa Catarina.