A chegada da gripe aviária à remota Geórgia do Sul, no Atlântico Sul, vem deixando um rastro de destruição na maior população mundial de elefantes-marinhos-do-sul. Novas análises feitas a partir de imagens de drones revelam que quase metade das fêmeas reprodutoras desapareceu desde que o vírus H5N1 atingiu a ilha, em 2023.
De acordo com pesquisadores do British Antarctic Survey, três das principais colônias de elefantes-marinhos, juntas responsáveis por cerca de 16% da população da ilha, registraram uma queda de 47% no número de fêmeas entre 2022 e 2024. Ao extrapolar essa perda para toda a Geórgia do Sul, o quadro indica que mais de 50 mil fêmeas podem ter deixado de se reproduzir nesta temporada.
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Os cientistas sabiam que a mortalidade estava muito acima do normal, mas só compreenderam a dimensão do problema quando compararam o antes e o depois. Segundo eles, a diminuição observada é “mais sombria do que o esperado” e deve provocar efeitos duradouros na dinâmica da espécie.
Um vírus cada vez mais adaptado a mamíferos
O H5N1, detectado originalmente em aves domésticas em 1996, passou por mutações que ampliaram sua capacidade de infectar fauna silvestre. O avanço do vírus sobre mamíferos marinhos tem sido registrado em diversos países. Somente em 2023, mais de 11 mil leões-marinhos, pinguins, golfinhos e outras espécies morreram no Chile. Na Argentina, um surto devastou quase toda a população de filhotes de foca na Península Valdés, um impacto sem precedentes.
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Na Antártica, o vírus já foi encontrado em nove espécies de aves e quatro espécies de focas, indicando que o patógeno se espalha rapidamente por ecossistemas inteiros.
Apesar dos números alarmantes, especialistas alertam que a magnitude real ainda pode estar subestimada. Isso porque muitos pinípedes são difíceis de localizar e monitorar. Em vista disso, mortes isoladas ou pequenos agrupamentos podem estar passando despercebidos.
Consequências para todo o ecossistema
O declínio dos elefantes-marinhos preocupa cientistas não apenas pelo risco à espécie, mas pelo impacto na cadeia ecológica. Esses animais são predadores de topo e desempenham funções essenciais, como a redistribuição de nutrientes pelos oceanos, um processo comparado a uma fertilização natural.
Segundo os cientistas, quando se remove uma massa tão grande de indivíduos, todo o ecossistema perde o equilíbrio, pois nenhuma outra espécie substitui o papel dos elefantes-marinhos no oceano.
E o cenário pode piorar. Pesquisadores que acompanham a temporada atual afirmam que as contagens de 2025 seguem em queda, sinalizando que o vírus continua circulando.