O camarão-louva-a-deus-palhaço (Odontodactylus scyllarus) é um dos animais mais intrigantes do Indo-Pacífico. O crustáceo, nativo de regiões que vão de Guam à costa leste africana, tem um corpo chamativo, supercolorido e repleto de apêndices torácicos que lhe dão outra característica importante: sua enorme força para capturar presas de casca rígida.
Apesar de medir apenas 18 centímetros, em média, o camarão-louva-a-deus-palhaço pode desferir socos de até 80 km/h, velocidade compatível à de uma bala de revólver calibre 22.
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O corpo colorido do camarão é composto por camadas de quitina mineralizada, que ajudam a absorver as ondas de choque potentes geradas pelos apêndices.
Créditos: Wikipedia
Pesquisas recentes associam essa força a ondas de estresse que atravessam os mecanismos fonônicos do camarão, que figura no Guinness World Records como o dono do “golpe autopropulsado mais forte entre animais”.
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Ele usa esse soco para quebrar conchas rígidas, como as de caranguejos e gastrópodes de que se alimenta, sendo um dos predadores mais eficientes em recifes com presas de carapaças duras.
Segundo uma pesquisa publicada no periódico PubMed, conduzida por pesquisadores do Departamento de Biologia Integrativa da Universidade da Califórnia, “apesar de seu pequeno tamanho, o O. scyllarus pode gerar forças de impacto milhares de vezes maiores que seu próprio peso”.
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Os pesquisadores estudaram o pico de força atingido pelos socos desferidos pelo espécime com imagens de alta velocidade e análises acústicas, e concluíram que o primeiro impacto é causado pelo membro, enquanto o segundo surge do colapso das “bolhas de cavitação”, pequenas cavidades de vapor que se formam em um líquido quando a pressão cai abaixo da pressão normal do vapor. Elas emergem em regiões atingidas por impulsos de alta velocidade, quando a pressão despenca após uma implosão rápida.
As forças de cavitação do camarão podem exceder em até 280% a força normal do impacto de seus membros, o que explica sua capacidade de fraturar conchas.
O apêndice de ataque do camarão inspirou pesquisas em materiais resistentes a impacto, úteis para engenharia militar, esportiva e aeroespacial.