Uma planta coletada durante uma incursão botânica no Parque Nacional do Alto Cariri, no sul da Bahia, revelou-se uma das descobertas mais recentes da flora da Mata Atlântica. O exemplar, levado ainda sem flores para o Jardim Botânico do Rio de Janeiro em 2023, só pôde ser identificado quando finalmente abriu suas inflorescências em julho deste ano. A partir desse momento, pesquisadores concluíram que se tratava de uma espécie inédita, posteriormente descrita no periódico Phytotaxa com o nome Wittmackia aurantiolilacina.
A confirmação só foi possível porque a floração exibiu combinações de cores pouco usuais entre bromélias conhecidas, permitindo comparação morfológica detalhada. As inflorescências chamaram atenção pelo contraste entre tons de laranja e lilás, combinação que distinguiu rapidamente o material de outras espécies já catalogadas.
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A espécie, entretanto, nasce sob ameaça. O levantamento feito pelos pesquisadores indica que o trecho de Mata Atlântica onde a planta foi localizada sofre forte pressão de atividades agropecuárias, sobretudo pastagens e cultivos de café e cacau. A redução contínua da vegetação nativa coloca a nova bromélia na categoria de criticamente ameaçada, mesmo antes de estudos mais amplos sobre sua distribuição serem concluídos.
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A descoberta também reforça a importância de áreas pouco exploradas do Alto Cariri, que seguem revelando espécies desconhecidas apesar de décadas de coleta botânica no bioma. Para os pesquisadores envolvidos, o caso ilustra como remanescentes florestais fragmentados ainda podem guardar componentes da biodiversidade que permanecem invisíveis até surgirem, como agora, em uma floração inesperada conduzida em ambiente controlado.