COP30: Cúpula dos Líderes reúne mais de 50 chefes de Estado nesta quinta em Belém

Pela primeira vez na história das conferências do clima, líderes mundiais se reúnem antes da abertura oficial da COP para definir o rumo político das negociações globais sobre o clima

Cúpula dos Líderes marca abertura política da COP30.Créditos: Sergio Moraes/COP30
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A capital paraense se torna, nesta quinta-feira (6), o epicentro da diplomacia climática mundial. Mais de 50 chefes de Estado e de governo participam da Cúpula dos Líderes da COP30, evento que marca a abertura política da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, cuja fase de negociações oficiais ocorre de 10 a 21 de novembro.

Convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e organizada pela Presidência brasileira da COP30, a reunião antecede, pela primeira vez, o início formal da conferência. O objetivo é garantir que os líderes mundiais estabeleçam previamente as prioridades e diretrizes políticas das discussões climáticas, liberando mais tempo para as negociações técnicas das próximas semanas.

Segundo o Itamaraty, a cúpula “busca dar direção política às negociações, sem caráter deliberativo”. “A cúpula não é deliberativa. O que é deliberativo é a COP. Não há ideia de documento final na cúpula, isso será da conferência”, explicou o embaixador Maurício Lyrio, secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente.

Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF)

A cerimônia de abertura será conduzida por Lula, que deve anunciar oficialmente o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (Tropical Forests Forever Fund – TFFF). A iniciativa reúne países e investidores privados em um modelo inovador de financiamento ambiental voltado à preservação das florestas tropicais.

Com estrutura de fundo de investimento e gestão de carteira de renda fixa, o TFFF pretende mobilizar cerca de R$ 625 bilhões (US$ 125 bilhões). Os rendimentos obtidos com aplicações seguras e sustentáveis serão utilizados para remunerar países que mantêm suas florestas em pé, com pagamentos anuais por hectare preservado. Pelo menos 20% dos recursos deverão ser destinados a povos indígenas e comunidades locais, e há proibição de investimentos em combustíveis fósseis.

A prioridade é apoiar nações com grandes áreas de floresta úmida, como Brasil, Indonésia e República Democrática do Congo, além de outros países tropicais em desenvolvimento.

Debates temáticos e compromissos climáticos

Durante os dois dias de programação, os líderes participarão de três mesas de alto nível. A primeira, dedicada a florestas e oceanos, abordará a proteção dos ecossistemas e os mecanismos de valorização dos serviços ambientais.

A segunda mesa discutirá a transição energética, com destaque para metas de triplicar a capacidade global de energias renováveis até 2030 e duplicar a eficiência energética. O Brasil também deve promover o Compromisso de Belém pelos Combustíveis Sustentáveis (Belém 4x), parceria com Itália e Japão que busca quadruplicar a produção e o uso de biocombustíveis e combustíveis sintéticos até 2035.

Na terceira sessão, os participantes farão um balanço dos dez anos do Acordo de Paris (2015–2025). A análise deve orientar as novas metas nacionais de redução de emissões, as chamadas NDCs, e tratar do financiamento climático global. O destaque será o Roteiro Baku–Belém, elaborado em conjunto pelas presidências do Azerbaijão (COP29) e do Brasil (COP30), que propõe mobilizar US$ 1,3 trilhão por ano até 2035 para acelerar a transição verde.

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