Secretário-geral da ONU faz discurso duro e diz que falhar no clima é “negligência fatal”

António Guterres criticou influência das petroleiras e alertou que ultrapassar 1,5°C pode tornar regiões inabitáveis e agravar desigualdades

António Guterres.Créditos: Reprodução de Vídeo/YouTube
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Na abertura da COP30, o secretário-geral da ONU, António Guterres, fez um discurso contundente ao afirmar que permitir que o aquecimento global supere 1,5°C é uma “falha moral” e uma “negligência fatal”. Segundo ele, o mundo está “brincando com a própria sobrevivência” ao ignorar a urgência climática. O alerta foi dirigido a chefes de Estado de mais de 30 países reunidos na conferência.

Guterres alertou que cada pequeno aumento na temperatura global intensifica desastres naturais, amplia perdas agrícolas e ameaça ecossistemas vitais. Ele afirmou que “cada fração de grau acima de 1,5°C significa mais fome, mais deslocamento e mais desigualdade”.

O discurso ocorreu no mesmo dia em que a Organização Meteorológica Mundial confirmou um recorde histórico nas emissões de gases de efeito estufa e alertou que 2025 deve ser um dos anos mais quentes já registrados. Mesmo com avanços, Guterres disse que, se os compromissos climáticos atuais forem totalmente cumpridos, o planeta ainda enfrentará um aquecimento médio de cerca de 2,3°C.

O secretário-geral direcionou críticas diretas às empresas de petróleo, gás e carvão, acusando-as de usar seus recursos para “enganar o público e obstruir o progresso”. Segundo ele, apostar em combustíveis fósseis é “apostar contra a humanidade” e desviar dinheiro da saúde, educação e do futuro comum.

Metas financeiras

Ele também cobrou que as nações desenvolvidas cumpram as metas financeiras firmadas nas últimas conferências, que previam mais de US$ 1 trilhão por ano em apoio aos países do Sul Global. O valor ainda não foi efetivamente alcançado. “Sem esse compromisso, não há transição justa”, disse.

Guterres reforçou que alterações climáticas continuam sendo a maior ameaça à segurança humana e defendeu uma mudança de paradigma para manter viva a meta de 1,5°C. “Cada ano acima desse limite infligirá danos irreversíveis ao planeta e aprofundará desigualdades”, concluiu.

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