Na última terça-feira (4), o estado de São Paulo ganhou um novo parque estadual: a Reserva Florestal do Morro Grande, localizada entre os municípios de Cotia e Ibiúna, na região metropolitana, com mais de 10 mil hectares de extensão.
O decreto que criou a unidade foi assinado durante o evento Summit Agenda SP + Verde, no Parque Villa-Lobos, na capital paulista, e estabelece a área — equivalente a mais de 10 mil campos de futebol —, antes uma reserva florestal criada para a proteção de mananciais e área nativa de Mata Atlântica, em unidade de conservação de proteção integral sob gestão da Fundação Florestal, ligada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do estado.
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A reserva abriga nascentes e riachos que alimentam os reservatórios paulistas, como a Represa da Graça e a Represa Pedro Beicht, que integram o Rio Cotia e abastecem mais de 400 mil pessoas na região metropolitana.
Além disso, o parque, que reúne floresta densa em que predominam as araucárias, tem mais de 260 espécies arbóreas de Mata Atlântica, e mais de 190 espécies de aves.
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A previsão é de que seja aberto para visitações guiadas a partir do primeiro semestre de 2026. A reserva deve oferecer trilhas ecológicas, educação ambiental, pesquisa científica e um polo de combate às mudanças climáticas e de promoção da segurança hídrica.
O reconhecimento da unidade de conservação vem às vésperas da Conferência do Clima da ONU (COP30), sediada em Belém (PA).
No final dos anos 1970, a área que hoje constitui a reserva florestal, entre Morro Grande e Caucaia do Alto, foi cogitada para abrigar o projeto de construção do aeroporto de São Paulo — iniciativa que recebeu protestos da comunidade de ativistas ambientais, comunicadores e acadêmicos, de acordo com documentos reunidos pelo Jornal Cotia Agora.
O projeto migrou, então, para Guarulhos, onde foi instalado o Aeroporto Internacional de São Paulo (GRU).
Considerada uma "floresta urbana", a reserva corresponde a cerca de um terço do município de Cotia e tem o tamanho aproximado de 60 Parques Ibirapuera. Estima-se que até 87% de sua área esteja coberta por mata nativa, e seus mananciais podem ser fundamentais diante da possível crise hídrica que ameaça as reservas de São Paulo, no sistema Cantareira, cujo volume registrado hoje é inferior àquele que antecedeu a seca histórica de 2013.
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