A poucos dias do início da COP30, que começa na próxima segunda-feira (10) em Belém (PA), um relatório da Changing Markets Foundation reacende o debate sobre o papel do agronegócio brasileiro na crise climática.
O documento acusa grandes frigoríficos — com destaque para a JBS — de promover uma ofensiva de marketing e lobby político para se apresentar como parte da solução ambiental, enquanto atuam nos bastidores para frear medidas de regulação.
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Batizado de "A Agenda da Carne", o relatório descreve como o setor vem investindo pesado em campanhas publicitárias, eventos e parcerias com influenciadores e pesquisadores para reforçar a imagem de uma pecuária “verde”.
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Na prática, afirma a organização, trata-se de uma estratégia de greenwashing para manter privilégios e adiar compromissos de corte de emissões.
“As empresas de carne aprenderam a linguagem da sustentabilidade, mas não mudaram suas práticas”, afirma Maddy Haughton-Boakes, da Changing Markets. “Enquanto o mundo discute o futuro do clima, elas seguem financiando a destruição ambiental e tentando controlar a narrativa.”
O estudo também chama atenção para o poder político da Frente Parlamentar da Agropecuária, que reúne a maioria do Congresso Nacional. Essa influência, somada a campanhas milionárias, permite que o setor dite o tom das políticas ambientais no país.
O relatório lembra ainda que o Brasil é o quinto maior emissor de metano do planeta e que mais de 75% dessas emissões vêm da pecuária. Mesmo assim, o gás — 80 vezes mais potente que o CO2 — não é tratado com prioridade nas metas climáticas brasileiras, o que os autores classificam como “excepcionalismo agrícola”.
O documento também cita o caso da JBS USA, que recentemente pagou US$ 1,1 milhão em um acordo judicial nos Estados Unidos por publicidade enganosa em suas promessas de neutralidade climática até 2040. A empresa, segundo as autoridades americanas, não apresentou plano realista nem metas verificáveis.
Para Haughton-Boakes, a conferência de Belém é uma oportunidade de o Brasil se diferenciar. “Se quiser liderar pelo exemplo, o país precisa enfrentar o lobby do agronegócio e colocar a ciência, não o marketing, no centro da ação climática”, afirmou.