Ao contrário de países vizinhos como Peru, Bolívia, Equador e Colômbia, o Brasil não possui nenhuma espécie nativa de urso. A ausência do animal em território brasileiro intriga muitas pessoas, sobretudo porque a América do Sul abriga um único representante da família Ursidae: o urso-de-óculos, Tremarctos ornatus, encontrado exclusivamente na região andina. Mas por que ele nunca cruzou a fronteira para o Brasil?
A resposta envolve clima, geografia e história evolutiva.
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O Tremarctos ornatus vive em altitudes que variam de 250 a mais de 4.000 metros acima do nível do mar, ocupando florestas úmidas, matas de neblina e áreas rochosas. Esses ambientes montanhosos, de clima frio e vegetação densa, oferecem exatamente o tipo de habitat ao qual a espécie se adaptou ao longo de milhares de anos.
Além disso, o urso-de-óculos é um animal discreto, solitário e de hábitos flexíveis, características que favorecem sua sobrevivência em encostas íngremes e florestas nubladas — mas não em ambientes quentes, planos ou muito abertos. Ele ocorre naturalmente na Colômbia, Venezuela, Equador, Peru e Bolívia, com registros ocasionais no norte da Argentina.
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O principal motivo para a ausência de ursos no Brasil é a Cordilheira dos Andes, que separa o habitat natural do urso-de-óculos das áreas amazônicas e do Cerrado. A cadeia montanhosa funciona como uma barreira ecológica e geológica: os ursos se especializaram no ambiente frio e elevado dos Andes e não têm motivos — ou adaptações — para atravessar para o lado leste.
Mesmo em regiões onde o Peru e a Bolívia fazem fronteira com o Brasil, a diferença de ambiente é drástica: saindo das montanhas, o terreno se transforma rapidamente em florestas tropicais quentes, planas e úmidas, pouco adequadas ao urso.
Além da barreira física, o clima do Brasil contribui para a ausência da espécie. O país é dominado por biomas como Amazônia, Cerrado, Caatinga, Pantanal e Mata Atlântica — todos com temperaturas mais altas, menor variação altitudial e vegetação que não oferece as condições típicas das montanhas andinas.
O urso-de-óculos depende de ecossistemas montanhosos e úmidos, com temperaturas amenas e oferta específica de alimentos, como bromélias, frutos de altitude, insetos e pequenos vertebrados. Esses elementos simplesmente não existem em grande escala nos biomas brasileiros.