Em entrevista à GloboNews, Fernando Haddad afirmou que o mundo precisa abandonar o petróleo o quanto antes para conter os efeitos da crise climática, como os desastres extremos que se tornam cada vez mais frequentes.
Como exemplo, o ministro da Fazenda citou a tragédia no Rio Grande do Sul, em 2024, que levou o governo federal a liberar cerca de R$ 100 bilhões em resposta à catástrofe.
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O foco da disputa interna é a Margem Equatorial, especialmente a bacia da foz do Amazonas. Haddad se diz favorável a estudos sobre a existência de petróleo na região, mas observa que eventuais descobertas não podem justificar o atraso na transição energética.
“Temos que prescindir do petróleo o quanto antes. Não há como usá-lo sem emitir carbono. O Brasil já lidera o uso de fontes renováveis há décadas. Investir nelas é o caminho”, disse Haddad.
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O ministro também destacou iniciativas da Fazenda para a COP30, entre elas o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), que busca captar US$ 125 bilhões para preservação ambiental. Países europeus demonstraram interesse, mas China e EUA ainda não se manifestaram.
Mesmo sem sinalização de Pequim, Haddad vê a China como aliada potencial na agenda climática. “É o maior produtor de painéis solares e carros elétricos baratos. Embora emita muito, está fazendo sua parte com tecnologia. Não é só uma questão de dinheiro”, afirmou.
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Ibama aprova plano sobre fauna na Foz do Amazonas
Nesta segunda-feira, o Ibama aprovou o conceito do Plano de Proteção e Atendimento à Fauna Oleada (PPAF) da Petrobras, uma exigência para a obtenção da licença ambiental de perfuração de um poço na Bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá.
A aprovação indica que os aspectos técnicos e metodológicos do plano estão em conformidade, permitindo o avanço para a fase final do licenciamento: uma simulação real de vazamento de óleo. Essa etapa, chamada de Avaliação Pré-Operacional (APO), testará a eficácia da resposta emergencial, envolvendo mais de 400 pessoas, embarcações, helicópteros e uma sonda de perfuração.
A Petrobras deverá demonstrar capacidade operacional e agilidade no atendimento à fauna afetada para obter a licença definitiva.
A presidente da estatal, Magda Chambriard, afirmou que a empresa está cumprindo todos os requisitos legais e montará a maior estrutura de resposta à emergência já vista no país em águas profundas. A companhia acredita que a exploração da Margem Equatorial pode abrir uma nova fronteira energética para o Brasil.
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