Imprensa livre e independente
16 de janeiro de 2014, 13h20

México: civis se armam para lutar contra cartéis das drogas

No país estão sendo travadas sangrentas batalhas entre exército, as autodefesas e narcotraficantes. A violência já matou mais de 80 mil mexicanos e deixou outros 30 mil desaparecidos

No país estão sendo travadas sangrentas batalhas entre exército, as autodefesas e narcotraficantes. A violência já matou mais de 80 mil mexicanos e deixou outros 30 mil desaparecidos Por Vanessa Martina Silva, em Vermelho Foto: EFE Ulises Ruiz Basurto Desde 2012, diante da inépcia do governo para combater o narcotráfico no país, civis se armaram e passaram a lutar contra os cartéis de drogas instalados em diferentes regiões do país. Até agora, os grupos já assumiram o controle de pelo menos 11 municípios de Terra Caliente, a oeste de Michoacán e avançam rumo a Apatzingán, uma cidade de 80 mil habitantes,...

No país estão sendo travadas sangrentas batalhas entre exército, as autodefesas e narcotraficantes. A violência já matou mais de 80 mil mexicanos e deixou outros 30 mil desaparecidos

Por Vanessa Martina Silva, em Vermelho

Foto: EFE Ulises Ruiz Basurto

Desde 2012, diante da inépcia do governo para combater o narcotráfico no país, civis se armaram e passaram a lutar contra os cartéis de drogas instalados em diferentes regiões do país. Até agora, os grupos já assumiram o controle de pelo menos 11 municípios de Terra Caliente, a oeste de Michoacán e avançam rumo a Apatzingán, uma cidade de 80 mil habitantes, que é o centro político e econômico da região e está a 480 quilômetros da Cidade do México.

De acordo com o jornal espanhol El País, neste domingo (12), civis armados entraram em Nova Itália a bordo de picapes identificando-se como “policiamento comunitário”. Segundo o jornal, eles informaram aos moradores da cidade de que a partir daquele momento seriam os responsáveis pela segurança da comunidade. Quem compartilha do mesmo objetivo, que é expulsar o cartel dos “Cavaleiros Templários” da cidade, pode pegar em armas e se juntar-se a eles.

Veja também:  O conto da carochinha: a união entre patrões e empregados para um mundo melhor

Os integrantes dos grupos justificam a ação com o argumento de que os prefeitos e a polícia local colaboram com os traficantes de drogas e perseguem os grupos de autodefesa.

Foto: AFP Alfredo Estrella

Para tentar conter a crise, o governo pediu que os grupos voltassem às suas atividades normais e deixassem a segurança das comunidades a cargo da polícia, mas eles já sinalizaram que não vão depor as armas “nem negar ajuda aos municípios que as requeiram”.

O líder da esquerda e ex-candidato à presidência do país, Andrés Manuel López Obrador, declarou que a política de segurança do presidente Peña Nieto é similar à de seu antecessor Felipe Calderón (2006-2012). Em seu Twitter, sentenciou que Peña Nieto “não resolve a questão a fundo e pretende apagar o fogo com mais fogo”. Durante a gestão de Calderón, que prometeu acabar com o narcotráfico, a violência aumentou e se espalhou pelo país.

Na mesma linha, o editorial do jornal La Jornada desta quarta-feira (15) observa que “as ações do governo federal diante da crise em Michoacán, longe de fornecer um fator de estabilidade e certeza à entidade e ao país, geraram maior incerteza na opinião pública e volatilidade à situação deste estado”. De acordo com o texto, enviar tropas para a região agrava ainda mais o conflito já que “militares são treinados para liquidar o inimigo”, o que nos obriga a pensar nos “numerosos episódios de violência e injustiça contra a população ocorridos em regiões afetadas pela criminalidade organizada”.

Veja também:  Fake News: Bolsominios divulgam vídeo antigo de Bolsonaro em quarto minúsculo de hotel no Japão e são desmentidos

E conclui que “em todo caso, esses fatos indicam uma ausência muito mais preocupante: a de uma estratégia governamental coerente e integral – policial, de inteligência, política, econômica, social – para fazer frente a fenômenos de insegurança pública que começam a se converter em confrontos de grande escala entre grupos armados. Se o atual governo não é capaz de formulá-la prontamente, o país viverá mais seis anos de violência descontrolada, decomposição institucional e barbárie multiplicada. Esperemos que não seja o caso”.

Você pode fazer o jornalismo da Fórum ser cada vez melhor

A Fórum nunca foi tão lida como atualmente. Ao mesmo tempo nunca publicou tanto conteúdo original e trabalhou com tantos colaboradores e colunistas. Ou seja, nossos recordes mensais de audiência são frutos de um enorme esforço para fazer um jornalismo posicionado a favor dos direitos, da democracia e dos movimentos sociais, mas que não seja panfletário e de baixa qualidade. Prezamos nossa credibilidade. Mesmo com todo esse sucesso não estamos satisfeitos.

Queremos melhorar nossa qualidade editorial e alcançar cada vez mais gente. Para isso precisamos de um número maior de sócios, que é a forma que encontramos para bancar parte do nosso projeto. Sócios já recebem uma newsletter exclusiva todas as manhãs e em julho terão uma área exclusiva.

Fique sócio e faça parte desta caminhada para que ela se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie a Fórum